Quatro livrarias em Bruxelas receberam cartas que ameaçam represálias sobre estas lojas se colocarem à venda na quinta-feira a edição especial do jornal satírico Charlie Hebdo. As autoridades reforçaram a vigilância e abriram uma investigação.

“O Ministério Público de Bruxelas está a levar estas cartas ameaçadoras muito a sério, e vai colocar todos os meios técnicos à sua disposição, incluindo vigilância de câmaras, pesquisas telefónicas, para encontrar o autor”, disse o porta-voz do Ministério Público, acrescentando que este tipo de ameaça “é intolerável”.

A missiva enviada a quatro livrarias que contam vender a partir de quinta-feira a primeira edição do Charlie Hebdo a seguir ao ataque de que o jornal satírico foi alvo na semana passada e que provocou 12 mortos dizia: “Aconselho a que não propague as caricaturas do nosso amado Maomé na Charlie Hebdo, uma revista desprezível, senão corre o risco de ter represálias sobre si e sobre o seu negócio”.

De acordo com o jornal La Dernière Heure, que revelou a informação, as autoridades municipais da capital belga garantiram já vigilância acrescida sobre as livrarias.

Os ataques ocorridos em Paris e nos arredores da capital francesa na quarta e na quinta-feira da semana passada, provocaram uma emoção muito forte na vizinha Bélgica, e já foram encomendados cerca de 30 mil cópias do jornal, quando o nível de procura normalmente não excede os 2.000, segundo a associação de livreiros belga.

A edição especial, que saiu hoje em França e que foi preparada pelos sobreviventes do ataque terrorista, traz na capa uma caricatura de Maomé, de lágrima no olho, segurando um papel com a frase ‘Je suis Charlie’, igual às utilizadas por milhões de pessoas que se manifestaram em defesa da liberdade de expressão, sob o título “Tudo está perdoado”.

A primeira página do Charlie Hebdo foi amplamente reproduzida e divulgada pela imprensa internacional na terça-feira, mas criticada por alguns muçulmanos que consideram qualquer representação do profeta Maomé como blasfémia.