A possibilidade de Assunção Cristas, atual ministra da Agricultura, vir a ser cabeça de lista no círculo eleitoral de Santarém caso PSD e CDS-PP concorram coligados às legislativas deste ano gerou posições divergentes na última reunião da distrital social-democrata.

O presidente da distrital de Santarém do PSD, Nuno Serra, disse esta quarta-feira à Lusa que ficou “espantado” por o tema ter sido levantado na reunião desta semana por ser “extemporâneo” e “prematuro” o debate em torno de um assunto que nem se sabe se se irá colocar, uma vez que ainda não existe qualquer decisão sobre se os dois partidos concorrem coligados ou não. “É só ruído. Não está nada em cima da mesa. Por isso fiquei espantado por a questão ter sido levantada pelo presidente da Câmara de Santarém”, afirmou.

O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves, disse à Lusa que a sua declaração foi feita no sentido de que a distrital social-democrata de Santarém se deve bater para que a lista às legislativas, caso haja coligação, seja liderada por um militante do partido, opondo-se a que se considere a hipótese de vir a ser encabeçada por Assunção Cristas.

O nome da ministra terá surgido de “conversas de corredor” na sessão das “Jornadas do Investimento” realizada no sábado em Santarém com a participação dos presidentes das distritais do PSD, Nuno Serra, e do CDS-PP, José Vasco Matafome.

O presidente da distrital do CDS-PP disse à Lusa que “ficaria muito satisfeito” se a lista por Santarém fosse encabeçada por Assunção Cristas, pessoa que considera ser conhecedora de uma área com forte implantação no distrito e que tem grande aceitação entre os agricultores.

Frisando que qualquer decisão em matéria de coligação será tomada pelos órgãos nacionais, José Vasco Matafome afirmou que se os dois partidos avançarem juntos para eleições não tem dúvidas de que o PSD não tem no distrito “ninguém com a capacidade e a visibilidade” de Assunção Cristas e que o que mais interessará será a capacidade de o cabeça de lista atrair votos.

“Seria lamentável se isso acontecesse”, disse Ricardo Gonçalves à Lusa, referindo a fraca expressão eleitoral do CDS no distrito de Santarém.

Contudo, para Nuno Serra, a distrital terá que analisar o que for melhor para o distrito e para a coligação, considerando que se se viesse a concluir que Assunção Cristas garantiria uma maior representatividade parlamentar seria “um erro crasso” eliminar essa possibilidade à partida.

Nuno Serra disse ter ficado “espantado” por a oposição vir de Ricardo Gonçalves, que foi eleito para a Câmara de Santarém na lista de um independente (Francisco Moita Flores), escolhido pelo partido com o objetivo de conseguir, pela primeira vez, conquistar um município desde sempre liderado pelos socialistas.

No entender do líder da distrital social-democrata, Ricardo Gonçalves deveria ser o primeiro a perceber que os cabeças de lista podem influenciar positivamente o resultado eleitoral, tanto que ele próprio é hoje presidente de Câmara graças a essa circunstância.

Todavia, assegurou que a tomada de posição de Ricardo Gonçalves “será tida em conta” na análise que a distrital vier a fazer, se a situação se colocar.