A Fundação Calouste Gulbenkian de Paris vai ser palco, a 09 e 10 de março, de um colóquio internacional intitulado “Autres marges – La vitalité des espaces de langue portugaise” (“Outras margens – A vitalidade dos espaços de língua portuguesa”).

O colóquio enquadra-se no programa do cinquentenário da fundação, em Paris, e vai reunir investigadores de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde e França, que vão animar mesas redondas sobre a língua, a literatura, a história e a arte nos espaços de língua portuguesa.

O objetivo é pensar “como é que mundo lusófono pode ser um espaço de abertura e de exemplo de trocas culturais”, disse à Lusa um dos membros do comité científico do colóquio, José Manuel Esteves, titular da cátedra Lindley Cintra na Universidade Paris Ouest-Nanterre.

“Interessava colocar-nos num ponto de vista relativamente inovador, para sairmos das temáticas de sempre da lusofonia, colocar-nos numa espécie de ‘à margem’, isto é, ver o que é que se trabalha à margem de cada uma destas culturas”, acrescentou José Manuel Esteves, que vai moderar um dos debates em torno da arte.

No dia 09 de março, a língua vai estar em destaque, com apresentações de Clarinda de Azevedo Maia, da Universidade de Coimbra, Diana Luz Pessoa de Barros, da Universidade de São Paulo, e Sarita Monjane Henriksen, da Universidade Pedagógica de Maputo, em Moçambique.

As investigadoras vão falar, por exemplo, sobre “o português do Brasil na tradição gramatical portuguesa”, sobre “a construção discursiva do Português como língua nacional no Brasil” e sobre o caso de Moçambique, na “unidade na diversidade nos espaços de língua portuguesa”.

No mesmo dia, à tarde, é a literatura que vai estar em destaque com a participação da escritora Ana Luísa Amaral, docente da Universidade do Porto, Agripina Carriço Vieira, da Universidade de Lisboa, Sérgio Paulo Rouanet, da Academia Brasileira de Letras, e Antonio Dimas, da Universidade de São Paulo.

Em cima da mesa, vão estar temas como “Que língua fala a poesia?”, uma análise sobre os escritores angolanos José Eduardo Agualusa e Ondjaki, a “correspondência de Machado de Assis” e “o memorialismo brasileiro, como espaço narrativo de criação e de perceção heterogéneas”.

No dia seguinte, os trabalhos vão ser orientados para a História, com Miguel Vale de Almeida do ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa, Francisco Noa, da Universidade Eduardo Mondlane, de Maputo, Paulo Pinto, da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, e Laura de Mello e Souza, da Université de la Sorbonne-Paris IV.

Entre os motes para o debate estão a diáspora, as interações culturais e identitárias na literatura moçambicana contemporânea, a presença portuguesa no Sudeste Asiático e a questão da fronteira em obras de Sérgio Buarque de Holanda.

A tarde será dedicada ao tema da arte, com intervenções de Bárbara Freitag, da Universidade de Brasília, António Preto, do Centro de Estudos Arnaldo Araújo da Escola Superior Artística do Porto, Leão Lopes, do Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura de Cabo Verde, e Maria Filomena Molder, da Universidade Nova de Lisboa.

O nomadismo dos artistas, os fantasmas da história do cinema português contemporâneo, o sentido da arte como projeto educativo em Cabo Verde e os efeitos da História trágico-marítima sobre três artistas contemporâneos são os temas propostos pelos investigadores.