Não haverá qualquer aliança no Reino Unido entre os Trabalhistas e nacionalistas escoceses para impedir que os Conservadores formem governo. Assim o garantiu Ed Miliband, líder do Partido Trabalhista quando, no final do debate televisivo realizado na quinta-feira, disse a Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês (SNP, na sigla inglesa), que “não vai colocar em risco a unidade do Reino Unido”.

Miliband sublinhou as “profundas diferenças” que “existem” entre ele e a líder escocesa, já depois de Sturgeon lhe lançar uma pergunta: “Será que preferia ver David Cameron regressar a Downing Street do que trabalhar com o SNP? Essa, seguramente, não pode ser a sua posição.” O primeiro-ministro britânico, líder dos Conservadores, e Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, não estiveram presentes neste debate.

No final do debate, que durou 90 minutos e registou uma audiência a rondar os 4,3 milhões de espetadores, escreveu a BBC, Sturgeon avisou o líder do Partido Trabalhista de que “as pessoas nunca o perdoarão” caso “vire as costas à hipotese de tirar Cameron” do poder. Nicola Sturgeon defendeu que, aliando-se ao Partido Nacional Escocês, os Trabalhistas seriam “mais ousados”.

A resposta de Ed Miliband, porém, foi clara. “Temo que seja um não. Toda a minha vida lutei contra o Partido Conservador. Mas as nossas diferenças são profundas”, explicou, já a encerrar o debate. Já após o debate, em declarações à Sky News, Nicola Sturgeon suspeitou de um bluff da parte do líder trabalhista. “Ed Miliband sabe tão bem como eu que se houver uma maioria anti-Tory [alcunha dada aos Conservadores], a única maneira de David Cameron voltar a Downing Street é se o Ed Miliband recuar e o deixar voltar”, argumentou.

Após este debate, o Daily Telegraph divulgou esta sexta-feira uma sondagem na qual Conservadores e Trabalhistas, com 34% das intenções de voto, surgem empatados. O eurocético Ukip aparece no terceiro lugar, com 14%, seguido dos Liberais Democratas, com 7%, e dos Verdes, com 5%.