Vários jornalistas gregos que têm sido críticos do governo de Alexis Tsipras e que defenderam publicamente a sua opção pelo “Sim” no referendo estão sob investigação por parte de três entidades, desde o Ministério Público até ao regulador estatal da imprensa, passando pelo sindicato dos jornais de Atenas. “Queixas feitas por telespectadores” estão na origem desta tripla investigação, que faz com que nove jornalistas – todos empregados por órgãos privados –tenham de responder às acusações de terem dado menos atenção ao “Não” do que ao “Sim”.

O sindicato dos jornalistas dos jornais diários de Atenas confirmou, citado pelo Sydney Morning Herald, confirmou que “nove dos nossos membros foram chamados para se pronunciarem sobre estas acusações” perante o Conselho de Deontologia. O mesmo sindicato tinha, na semana passada, emitido um comunicado a criticar a forma como alguns jornalistas estavam a dar as notícias (em antecipação ao referendo).

Os jornalistas em questão são, do Mega Channel, Olga Tremi, John Pretenteris, Maria Sarafoglou e Manolis Kapsis. Da televisão SKAI foram chamados Stamatis Malelis, Nick Konitopoulos, Aris Portosalte e Dimitris Oikonomou. Há ainda o nome de Maria Houkli​, da ANT1.

Stamatis Malelis, um dos visados, deixou no Facebook uma mensagem em que acusa o governo de Tsipras de tentar silenciar os seus críticos:

Aos vários cães do partido. Vocês não vão conseguir silenciar-me, façam o que fizerem. Nenhuma forma de poder algum dia conseguiu e vocês também não vão conseguir. Existe uma diferença enorme entre mim e vocês. Eu trabalhei toda a vida, enquanto vocês estiveram a aquecer os vossos lugares no partido. Estão a perder o vosso tempo com ameaças. Não mordo o isco. Quem quiser discutir, estou aqui!

Ao Sydney Morning Herald, um porta-voz do regulador público da imprensa confirmou, também, que o órgão vai lançar “uma investigação acerca da forma como estes canais noticiaram o referendo”. Os presidentes das empresas de comunicação, acrescenta o jornal, também deverão ser chamados a prestarem declarações.

Em cima da mesa está, ainda, a possibilidade de o Parlamento intervir nesta questão e sancionar os órgãos de comunicação. “A questão não é sobre liberdade de imprensa e sobre o direito dos cidadãos a ter acesso à informação. Mas, também, estamos a falar do direito a votar neste referendo importante”, comentou Zoe Konstantopoulou, presidente do Parlamento grego, ligada ao Syriza.