Rádio Observador

Evolução Humana

Será que temos mãos primitivas?

Pensar que o homem é mais evoluído que os restantes animais é uma ideia errada - temos as mãos parecidas com os nossos antepassados e foram os chimpanzés que mais divergiram.

Durante a evolução, alguns primatas "perderam" o polegar

HECTOR RETAMAL/AFP/Getty Images

Uma das características mais distintivas dos primatas são as mãos e a capacidade para agarrar ou catar parasitas do pelo. Estas mãos especiais têm impressões digitais únicas em cada dedo e, claro, polegares oponíveis. Mas se pensa que as nossas mãos são as mais evoluídas do mundo dos primatas, a equipa de investigadores liderada por Sergio Almécija mostra-lhe que poderá não ser bem assim, conforme publicação esta terça-feira na revista científica Nature Communications.

Antes de mais é preciso lembrar que o homem não descende dos chimpanzés. Na verdade, ambas as espécies têm um antepassado (ancestral) comum que seguiu dois caminhos diferentes durante a evolução. Aliás, no que diz respeito às características das mãos, os humanos parecem partilhar as características com os gorilas e, logo, com o antepassado comum de ambos, segundo a equipa do paleoantropólogo Sergio Almécija.

arvore_evolucao_humano

Infografia: Milton Cappelletti

O homem, em comparação com chimpanzé, tem um polegar proporcionalmente maior. Já os chimpanzés, tal como os orangotangos, têm os quatro dedos (fora o polegar) muito mais longos. E dentro deste grupo de Grandes Primatas, os gibões são os que têm os dedos mais longos em relação ao tamanho do corpo.

O que os investigadores dizem é que as mãos dos chimpanzés e dos humanos evoluíram de forma distinta – evolução divergente -, tendo os homens mantido as mãos semelhantes às dos gorilas. E dizem ainda que os chimpanzés e os orangotangos evoluíram de forma distinta, mas em determinado momento as mãos tornaram-se mais parecidas – evolução convergente.

Imagem que ilustra a diferença entre a mão de um chimpanzé (à esquerda) e a de um humano - Almecija et al. (2015) Nature Comm

Imagem que ilustra a diferença entre a mão de um chimpanzé (à esquerda) e a de um humano – Almecija et al. (2015) Nature Comm

Durante muito tempo, considerou-se que o antepassado comum de chimpanzés e humanos teriam as mãos como os chimpanzés – dedos longos e polegar curto – e que isso lhes permitia deslocar de mãos fechadas sobre os nós dos dedos. Mas a análise dos antepassados mais próximos do homem – os hominíneos – e de outros primatas fósseis mostraram que as mãos desde antepassado comum são mais parecidas com as dos humanos e que terão sido os chimpanzés a ter uma evolução divergente na estrutura da mão. Além disso, os investigadores chegaram à conclusão que as mãos dos primatas extintos seriam muito mais diversas do que inicialmente se imaginava.

Pelos resultados apresentados, e pela observação da locomoção dos gorilas (de dedos curtos), a equipa de Sergio Almécija considera que não são precisos dedos longos para que as espécies se desloquem sobre os nós dos dedos. Tanto os chimpanzés (de dedos longos) como os gorilas (de dedos curtos) o fazem. E se os antepassados mais próximos do homem também não tinham dedos longos, isso poderia não ser assim tão determinante para trepar às árvores, consideram os cientistas.

Professor Lee Berger, an American who is a professor at South Africa's University of the Witwatersrand, poses with the reconstructed hand of a hominin he discovered, during the unveiling of this Sediba Fossil in Johannesburg, on September 8, 2011. Until now, the first tool-maker was widely believed to be Homo habilis, based on a set of 21 fossilized hand bones found in Tanzania that date back 1.75 million years. However, a close examination of two partial fossilized skeletons of Au. sediba discovered in South Africa in 2008 and the new Sediba Fossil discovery suggest that these creatures who roamed the Earth 1.9 million years ago were crafting tools even earlier, and could be the first direct ancestor of the Homo species. AFP PHOTO / ALEXANDER JOE (Photo credit should read ALEXANDER JOE/AFP/Getty Images)

A reconstrução de uma mão de hominíneo na mão de Lee Berger, professor na Universidade de Witwatersrand, na África do Sul (que não fez parte deste estudo) – ALEXANDER JOE/AFP/Getty Images

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt
Filosofia Política

A doença mental chamada Amazónia

Gabriel Mithá Ribeiro

Resta decretar o estado de emergência climática que, na prática, se traduz no combate ao capitalismo em nome do socialismo, mas na condição daquele disponibilizar muitos mil milhões de dólares a este.

Trabalho

Ficção coletiva, diz Nadim /premium

Laurinda Alves

Começar reuniões a horas e aprender a dizer mais coisas em menos minutos é uma estratégia que permite inverter a tendência atual para ficarmos mais tempo do que é preciso no local de trabalho.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)