O Papa Francisco deu esta quarta-feira mais um sinal de clareza em relação à posição da Igreja Católica sobre o divórcio. “A Igreja não tem as portas fechadas para ninguém. Os divorciados não estão excomungados como alguns pensam, e não podem ser tratadas como tal, elas fazem sempre parte da Igreja”, assegurou Jorge Mario Bergoglio, de acordo com o El Pais, durante a audiência semanal.

“Estes batizados, que estabeleceram uma nova relação depois da dissolução do seu matrimónio sacramental, precisam de um acolhimento fraterno e atento, no amor e na verdade”, insistiu o Papa Francisco.

Para a Igreja Católica, um casamento religioso válido não pode ser desfeito a não ser em circunstâncias excepcionais, que declarem a sua invalidez. No entanto, em numerosos matrimónios católicos, os casais separam-se e, depois, recasam-se apenas pelo civil. Será que a Igreja penaliza essas pessoas com a excomunhão? Desde 1977 que não.”Um católico que se recasa fora do casamento não é excomungado. Permanece um membro ativo da Igreja, e pode participar na missa, mas não deve poder participar no sacramento da Eucaristia [receber a comunhão]”, explica o catecismo. Esta disposição estará em discussão no Sínodo sobre a família que concluirá os seus trabalhos no próximo mês de outubro, depois de ao longo do ano o tema ter estado em debate em todas as dioceses do mundo, nomeadamente na portuguesa.

Perante milhares de pessoas que encheram o recinto, o Papa argentino disse que “a Igreja não ignora que a situação dos divorciados e recasados contradiz o sacramento do matrimónio, mas, por outro, o seu coração materno, animado pelo Espírito Santo, leva-a sempre a buscar o bem e a salvação de todas as pessoas”, informa a agência Ecclesia.

O Bispo de Roma acrescentou ainda, em jeito de pergunta, “como podemos esperar que os pais [divorciados] eduquem os seus filhos de acordo com os princípios da educação cristã se os afastamos da vida entre a comunidade?”.

Em junho, Bergoglio admitiu que a separação pode, por vezes, ser “moralmente necessária”, quando é pensada para proteger o cônjuge mais frágil ou os filhos do casal. “Quando os adultos perdem a cabeça, quando um deles pensa apenas nele próprio, quando a mãe e o pai se magoam, a alma da criança sofre muito, enche-se de desespero”, explicou o Papa, para justificar como o divórcio é um mal necessário em certas situações.

Esta quarta-feira, Jorge Bergoglio voltou a reforçar a mensagem: os divorciados não devem ser excluídos e afastados da comunidade católica.