O Ministério das Finanças da Alemanha, liderado por Wolfgang Schäuble, está a fazer pressão para que seja dado um novo empréstimo intercalar à Grécia, com vista a dar mais tempo para que se chegue a um acordo “sólido”. A declaração de fonte do Ministério a um jornal alemão contrasta com a descrição de Alexis Tsipras, que disse há vários dias que as negociações estavam na “reta final”, e, também, com a análise de François Hollande, que na quinta-feira defendeu que “pode e deve” haver um acordo após 15 de agosto. Dia 20 de agosto a Grécia tem de pagar 3,4 mil milhões ao BCE.

“Um programa que deverá durar três anos e valer mais de 80 mil milhões precisa de uma base muito sólida”, afirmou fonte de Berlim ao Sueddeutsche Zeitung. O Ministério das Finanças alemão não quer pressas: “Um novo programa intercalar é melhor do que o programa meio acabado”, acrescenta a mesma fonte, citada pelo jornal grego Kathimerini.

O primeiro empréstimo intercalar concedido à Grécia valia 7,2 mil milhões de euros, o que foi suficiente para financiar o Estado por algumas semanas e ajudar a Grécia a pagar um reembolso ao BCE e acertar contas com o FMI, com quem a Grécia tinha falhado vários pagamentos. Mas esse valor não chega para suportar o reembolso de 3,4 mil milhões de euros em obrigações que estão nas mãos do BCE.

A Grécia tem procurado criar pressão para que se chegue a um acordo para o terceiro resgate antes desse pagamento, mas a Alemanha recusa-se a fazer cedências nas reformas exigidas por uma questão de concluir as negociações a tempo de pagar ao BCE. Após um encontro com François Hollande no Egito, Alexis Tsipras indicou (através de comunicado do seu gabinete) que “os dois líderes acordaram que as negociações podem e devem ser concluídas após 15 de agosto”.

Receita fiscal cai 8,5%

A situação financeira da Grécia e a necessidade de um empréstimo intercalar ou de um terceiro resgate agravam-se com a quebra das receitas fiscais. O governo grego informou na quinta-feira à noite que as receitas fiscais caíram 8,5% nos primeiros seis meses de 2015.

Os dados incluem apenas os primeiros seis meses do ano, ou seja, até junho, mês em cujo final foram lançados os controlos de capitais na banca. Previsivelmente, a contração económico ter-se-á agravado desde então, pelo que o governo grego terá dificuldades acrescidas em satisfazer as necessidades de financiamento por via da receita fiscal.