Pelo menos 82 pessoas morreram e 250 ficaram feridas num ataque da aviação síria contra um mercado de Duma, arredores de Damasco, considerado “massacre” por grupos de direitos humanos.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos e fontes de grupos insurgentes, os aviões lançaram quatro a nove mísseis contra o centro da localidade, situada a cerca de 20 quilómetros a noroeste da capital.

O presidente do observatório, Rami Addelrahman, disse à EFE que o número de vítimas mortais pode ainda aumentar devido ao grande número de feridos em estado grave.

O ataque da aviação síria causou também importantes estragos materiais, segundo o comunicado da organização não-governamental, que acrescenta que há menores entre as vítimas mortais.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, que conta com um grande número de voluntários em várias zonas do país, classifica o ataque como “massacre”, expressão utilizada também por vários grupos da oposição.

Por outro lado, o grupo que reúne os Comités de Coordenação Local (CCL) afirma que o número de mortos pode ultrapassar uma centena e que os aviões de guerra do Presidente sírio, Bashar al Assad, dispararam nove mísseis contra Duma, assim como inúmeros obuses de artilharia contra zonas habitadas.

Duma, situada na região de Guta, está controlada pela brigada Exército do Islão e está cercada pelas forças leais a Damasco.

Alguns grupos rebeldes já difundiram imagens da zona atingida, que mostram edifícios atingidos pelo bombardeamento, que destruiu o mercado.

As mesmas imagens, que estão a ser divulgadas através da internet, mostram também as supostas vítimas mortais do ataque, entre as quais várias crianças.

A Coligação Nacional Síria (CNFRS), principal aliança política da oposição síria, denunciou o ataque da aviação de Bashar al Assad e já pediu a “intervenção árabe e internacional” para que seja possível parar este tipo de ações que considera “crimes contra a humanidade”.

A CNFRS também acusou as autoridades sírias e o Irão, o principal aliado regional do regime sírio, de responsabilidade pela “matança”.

“A Aliança Nacional responsabiliza o ocupante iraniano e o regime de Al Assad pelo massacre e considera que a forma como o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a comunidade internacional encaram o conflito contribui para o aumento dos massacres de civis”, refere a organização em comunicado.

A zona de Guta, principal bastião da oposição nos arredores de Damasco, é um alvo frequente dos ataques da aviação governamental.

Na semana passada, pelo menos 37 pessoas perderam a vida, entre as quais quatro menores, e 120 ficaram feridas em bombardeamentos contra Duma, Saqba, Hamuriya e Kafr Batna, na região de Guta.

Várias organizações denunciaram os “ataques indiscriminados” contra a população civil, realizados quer pelos grupos de insurgentes quer pelas forças governamentais.

A guerra civil na Síria prolonga-se há quatro anos e provocou mais de 240 mil mortos, segundo os números divulgados recentemente pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

De acordo com a mesma organização não-governamental, no passado mês de julho, 1021 civis foram vítimas mortais dos combates, entre as quais 231 eram menores de oito anos e 159 tinham entre oito e 18 anos de idade.