O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, admitiu hoje convocar uma cimeira extraordinária sobre migrações ainda este mês, se a reunião dos ministros do Interior da União Europeia (UE), na segunda-feira, não for conclusiva.

Após um encontro com o presidente cipriota, Tusk disse que do conselho extraordinário de ministros da Justiça e Assuntos Internos “tem que sair um sinal concreto e positivo de solidariedade e unidade”. “Depois dos contactos que mantive com Estados-membros nos últimos dias, tenho hoje mais esperança de estarmos mais perto de encontrar uma solução baseada no consenso e numa solidariedade genuína. Se não se chegar a uma decisão, terei que convocar uma reunião de emergência do Conselho Europeu ainda em setembro”, anunciou.

Os países do grupo de Visegrado – Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia — já recusaram as quotas de acolhimento de refugiados propostas pela UE.

Em Praga, o chefe da diplomacia checa, Lubomir Zaoralek, afirmou que os países que vão receber refugiados “devem ter controlo sobre o número de refugiados que estão dispostos a aceitar e em seguida oferecer-lhes apoio”.

Após uma adesão à UE em 2004 com o apoio declarado de Berlim, estes quatro países desafiam hoje a chanceler alemã, Angela Merkel, que pretende uma política “vinculativa” de quotas de refugiados em nome dos valores fundadores do projeto europeu.

Também a Dinamarca anunciou que recusa participar num sistema de repartição centralizada de refugiados entre países-membros da UE, como propõe Bruxelas. Como o Reino Unido e a Irlanda, a Dinamarca pode excluir-se da política europeia de asilo.

Por seu lado, o Governo da Finlândia anunciou estar disposto a receber um total de 2.400 refugiados, como pedido pela CE, mas sublinhou opôr-se à proposta de Bruxelas de um sistema de repartição de refugiados, com base em quotas obrigatórias.