O encontro entre Aníbal Cavaco Silva e António Costa já terminou. À saída, o líder socialista, acompanhado pelo chefe da Casa Civil, sorriu para os jornalistas, mas não prestou declarações. A audiência durou sensivelmente 30 minutos. O Presidente da República deve fazer uma declaração ao país dentro de instantes.

Foi a segunda vez que Costa foi ao Palácio de Belém em três dias. Na sexta-feira liderou a comitiva socialista, numa ronda informal de consulta aos partidos. A nova chamada pode abrir caminho a um convite para Costa formar Governo. Mas de Belém não saem sinais de se isso se confirmará de imediato, ou se Cavaco silva quer novas garantias do socialista antes da indigitação.

Está, por isso, ainda tudo em aberto. Ou quase tudo. Durante as últimas semanas Cavaco Silva foi lembrando que também ele, em 1987, esteve cinco meses a liderar um Governo em gestão e que agora, ao contrário de 2011, existe uma “almofada financeira de dimensão substancial”.

Ora, as palavras do Presidente da República foram alimentando a tese de que Cavaco poderia não excluir inteiramente a hipótese de manter Passos em gestão, mesmo depois de o próprio primeiro-ministro ter, aparentemente, afastado essa hipótese. Agora, com Costa a ser novamente chamado a Belém, essa porta parece estar definitivamente fechada.

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À esquerda, PS, Bloco, PCP e PEV já deixaram bem claro que não aceitam outra solução que não passe pela indigitação de António Costa. As centrais sindicais já disseram o mesmo – com a CGTP a ameaçar ir para a rua se o Presidente da República não desse posse ao Governo socialista.

À direita, Passos já fala como líder da oposição e avisou Costa para não contar com PSD e CDS quando a aliança ruir – sociais-democratas e centristas estão a apostados em ir às urnas o mais rápido possível. Entre os banqueiros, economistas e patrões ouvidos por Cavaco Silva foram muitos os que levantaram sérias reservas sobre o caminho desenhado pelo PS. Onze dias e 31 audiências depois, Cavaco Silva pode estar prestes a desfazer o impasse e a anunciar a sua decisão.