O ex-presidente da Câmara do Porto ainda tem dúvidas sobre o que quer, mas mesmo que lhe restem dúvidas já sabe o que não vai fazer: candidatar-se à Presidência da República, sobretudo depois de o PSD ter apoiado Marcelo Rebelo de Sousa. Ora, e se foi Passos Coelho quem lhe tirou o tapete de vez, Rio retribuiu a oferta e deixou no ar uma ameaça em forma de dúvida. Numa conferência no Porto, para comemorar os 15 anos da Sic Notícias, Rui Rio fez questão de dizer que não acredita que Passos Coelho vença futuras eleições legislativas.

“É evidente que Pedro Passos Coelho vai ter dificuldades em ganhar a próxima eleição. Se for ele o líder do PSD, vai ter uma dificuldades muito maior do que teve há 4 ou 5 anos, porque era uma novidade”, disse. A frase é enigmática q.b., mas Rio deixa no ar duas ideias: a primeira, que Passos Coelho pode não ser o líder do partido quando se realizarem as próximas eleições (independentemente de serem antecipadas ou de o Governo de Costa cumprir a legislatura); a segunda, que o atual presidente do partido tem poucas hipóteses de vencer eleições. E as duas mostram que o portuense pode ser uma ameaça à continuidade de Passos como líder.

Para este argumento serve também o facto de Rio acreditar que Costa — de quem é amigo e com quem manteve uma relação bilateral bastante próxima quando ambos eram autarcas de Lisboa e Porto — tem afinal um Governo mais facilitado do que seria de esperar nesta primeira fase. Só depois, acredita, é que podem aparecer problemas: “A primeira metade da legislatura não é tão difícil assim, depois se os indicadores se degradarem, porque se puxou de mais pelo consumo privado ou pelo consumo público e [isto começar a] ter reflexo real nos mercados, aí é que a porca pode torcer o rabo”.

Durante os últimos meses, várias vezes se especulou sobre o futuro do ex-autarca. Antes de Marcelo Rebelo de Sousa avançar, muita tinta correu sobre a possibilidade de Rio ser candidato à Presidência da República. Uma solução que, na altura, não era mal vista por um setor do PSD que não se revê no estilo do professor de direito e que ao mesmo tempo queria afastar a ameaça de uma disputa no PSD, entre Rio e Passos. Ora, Rio diz que ainda hoje não sabe se não teria sido melhor ser candidato presidencial: “A palavra arrepender é muito forte. Tive sempre dúvidas, tive”, admitiu.