A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) manifestou-se neste sábado preocupada com a suspensão da passagem à reserva prevista no Orçamento do Estado, considerando que o efetivo da GNR está cada vez mais “envelhecido e desmotivado”. “Essa questão [suspensão da passagem à reserva] é a mais preocupante”, disse à agência Lusa o presidente da APG, César Nogueira, adiantando que vão pedir esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna.

O Orçamento do Estado para 2016, entregue na sexta-feira na Assembleia da República, prevê que as passagens à reserva e pré-aposentação ficam suspensas este ano para os militares da GNR e o pessoal com funções policiais da PSP, SEF, PJ, Polícia Marítima e corpo da Guarda Prisional. César Nogueira adiantou que, até 31 de dezembro de 2016, cerca de 4.000 militares reuniam as condições para passarem à reserva, ou seja, têm mais de 55 anos e 36 anos de serviço.

O presidente da APG considerou esta decisão “injusta” e que vai contribuir para o aumento de baixas médicas, tendo em conta o desgaste da profissão. César Nogueira disse também que o efetivo da GNR está “cada vez mais envelhecido e desmotivado”, recordando que o comando-geral da Guarda Nacional Republicana já não está a autorizar a passagem à reserva aos elementos que reúnam os requisitos.

Sobre o aumento de polícias nas ruas, o presidente da APG manifestou-se cético, recordando que esta intenção foi também anunciada por anteriores governos e o que aconteceu foi “o inverso e assistiu-se a um aumento de profissionais nos serviços administrativos”. Segundo César Nogueira, mais de metade do efetivo da GNR não são operacionais.

Na área da segurança interna, o OE para 2016 estabelece como duas das prioridades a disponibilização do maior número de polícias para trabalho operacional e o aumento da participação de elementos das forças de segurança em missões internacionais. Sobre as missões internacionais, César Nogueira considerou uma medida difícil de concretizar, tendo em conta a falta de efetivo na Guarda Nacional Republicana.