Conflito na Síria

Sauditas dizem que a Rússia não vai conseguir salvar o regime sírio

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, disse hoje que os esforços de Moscovo na Síria não estão a ajudar a manter Bashar al-Assad no poder.

ANDREAS GEBERT/EPA

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, disse hoje que os esforços de Moscovo na Síria não estão a ajudar a manter Bashar al-Assad no poder.

Jubeir disse, em conferência de imprensa em Riade, que os apoios anteriores, incluindo do Irão, “falharam” completamente.

“Agora, Assad tem procurado o apoio da Rússia, mas Moscovo não vai conseguir salvá-lo”, disse o chefe da diplomacia saudita, que pediu aos russos para terminarem com as operações militares aéreas contra os grupos “moderados” da oposição da Síria.

A Rússia, país aliado da Síria, iniciou os bombardeamentos em setembro do ano passado, atingindo, segundo os Estados Unidos, sobretudo os grupos armados pelo ocidente.

Analistas referidos pela France Presse acreditam que a intervenção militar russa na Síria concedeu a Assad mais tempo no poder o que provocou um “profundo alarme no ocidente”.

Mas, para o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, está já a tornar-se impossível que um “homem responsável pela morte de 300 mil inocentes continue no poder”, referindo-se ao presidente sírio.

A queda do regime é uma “questão de tempo porque mais cedo ou mais tarde vai cair, abrindo o caminho à construção de uma nova Síria, sem Bashar al-Assad”, disse Jubeir.

O ministro saudita urgiu o regime sírio a permitir a “entrada imediata de assistência humanitária em todo o país e a pôr fim aos ataques militares contra civis inocentes”, dando possibilidade a uma transição política no país.

Os 17 Estados que compõem o Grupo de Apoio à Síria e que conta com o envolvimento da Rússia e dos Estados Unidos, concordaram na sexta-feira encontrar meios para o fim das hostilidades nas próximas semanas, permitindo a entrada de auxílio humanitário às cidades mais afetadas pela guerra.

Os mais críticos afirmam que o acordo está a ser prejudicado porque não inclui os grupos extremistas como o Estado Islâmico ou o Al-Nusra, da Al-Qaeda, permitindo à Rússia manter posições e continuar a defender os ataques aéreos contra os jhiadistas.

Logo após a iniciativa diplomática de sexta-feira, a Síria lançou uma forte ofensiva que atingiu as zonas controladas pelos extremistas na cidade de Aleppo e que foi apoiada pela aviação russa e por tropas do Irão.

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