PCTP/MRPP

Arnaldo Matos acusa “grupelho” de Garcia Pereira de vandalizar sede do MRPP

398

A sede do MRPP foi vandalizada com graffiti a dizer que aquela era a "sede do Daesh". O líder do MRPP acusa "grupelho" de Garcia Pereira, que se demitiu em novembro, de estar por trás de tudo.

A cisão entre Garcia Pereira e Arnaldo Matos foi tornada pública depois das eleições legislativas de outubro, onde o MRPP teve 1,11%.

Site "Luta Popular", do Órgão Central do MRPP

O líder do MRPP, Arnaldo Matos, acusou este sábado o antigo militante Garcia Pereira de estar por trás dos atos de vandalismo registados na sede do partido, na avenida do Brasil, em Lisboa.

Na noite de 17 para 18 de abril alguém pintou com spray as frases “ARNALDO MATOS GRANDE AMIGO DO DAESH” e “SEDE DO DAESH”. A acusação surge no jornal online “Luta Popular”, órgão central do MRPP. Em dezembro, Arnaldo Matos, também conhecido como “o grande educador da classe operária”, disse que os atentados de Paris foram “ato legítimo de guerra”.

Tive oportunidade de explicar ao membro do Comité Central com quem imediatamente discuti o assunto, o Dr. Carlos Paisana, que se tratava de uma campanha provocatória conduzida pelo grupelho liquidacionista Franco/Pereira, agora afastado do Partido e já ligado às atividades da Nova Pide, com vista a ilegalizar o Partido dos comunistas, apresentando-o como um partido terrorista ou amigo de terroristas”, escreveu Arnaldo Matos.

O “grupelho liquidacionista Franco/Pereira” é uma clara referência a Conceição Franco e a Garcia Pereira, que até novembro eram dois dos quatro membros do Comité Permanente do Comité Central do MRPP. Nessa altura, demitiram-se.

(Crédito: Site “Luta Popular”, do Órgão Central do MRPP)

No mesmo texto, Arnaldo Matos diz que o “objetivo do grupelho provocatório, anti-comunista primária (…), agora mancomunado com a direita neonazi e as novas polícias secretas fascistas, é ilegalizar o partido” e diz que estes querem pôr em causa “que os povos agredidos pelo imperialismo ataquem os imperialistas nos próprios covis em que se acoitam: no interior das suas cidades e capitais, nos boulevards das suas próprias metrópoles”.

Recorde-se que, em dezembro, Arnaldo Matos escreveu no mesmo site que os atentados de Paris de 13 de novembro foram um “ato legítimo de guerra” e que não foi feito por “islamitas, mas por jihadistas, isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo, nomeadamente francês”.

Últimos tempos no MRPP têm sido conturbados

Este é apenas mais um capítulo da recente, mas já longa, fase de conturbação dentro do partido maoista. Os problemas começaram a ser tornados públicos depois das eleições legislativas de 4 de outubro, nas quais o MRPP voltou a não conseguir eleger qualquer deputado, depois de conseguir 1,11% dos votos.

Pouco depois, o Luta Popular publicava um texto assinado por “Espártaco” onde era pedida a demissão de Garcia Pereira por motivos de “incompetência, oportunismo e anticomunismo primário”.

Ainda em outubro, quando o PS já tinha começado as negociações com a CDU e o BE no sentido de viabilizarem um governo à esquerda, Arnaldo Matos comentou a situação de forma pouco simpática: “Política de esquerda esta? Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!”.

No mês seguinte, a 18 de novembro, Garcia Pereira apresentava a sua demissão do partido onde militava desde 1974. “Informo que, embora com uma enorme mágoa, mas também com a firme convicção de que a História não nos deixará de julgar a todos, me vi constrangido, como única alternativa com um mínimo de dignidade, a apresentar, no passado dia 18 de novembro, a minha demissão”, referiu em comunicado.

No sábado, o Expresso dava a notícia de que o próximo congresso do MRPP decorrerá de forma “clandestina”, num local desconhecido ao público e aos media, e que o partido está em blackout.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: jadias@observador.pt
Política

A protecção da família em Portugal

Luiz Cabral de Moncada

A família, enquanto célula principal da sociedade e berço da moral, como bem se sabe na Calábria, está mais garantida do que nunca. Nunca será esquecida pelos partidos quando no poder político.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)