O ex-primeiro-ministro José Sócrates criticou este sábado o PS por incluir o Tratado Orçamental nos dogmas socialistas e não o debater, defendendo a sua reavaliação porque o próprio tratado prevê esta possibilidade em função dos resultados.

Sob o tema ‘O Desencantamento Europeu’, José Sócrates deu uma conferência durante os trabalhos da VII Congresso da Tendência Sindical Socialista da UGT (TSS/UGT), na qual teceu duras críticas ao atual modelo da União Europeia, liderada por um “Governo de ninguém”, de “burocratas alemães”, onde os “tiques da tecnocracia” são visíveis na questão das sanções que podem cair sobre Portugal e Espanha.

Felizmente ainda temos uma parte da esquerda, que não o nosso partido, que fala no Tratado Orçamental. Vejo o nosso partido completamente à margem do debate sobre o tratado orçamental. Parece que o Tratado Orçamental passou a fazer parte dos dogmas socialistas. Não dos meus, por isso falo à vontade”, criticou.

O ex-primeiro-ministro socialista aproveitou para esclarecer que, ao contrário do que é dito, “o Tratado Orçamental previa e prevê que ao fim dos anos se pudesse reavaliar”, ou seja, “uma reavaliação em função dos resultados”.

Não podia haver piores resultados. Alguém pediu uma reavaliação?”, questionou.

Sócrates vê “uma esquerda falar em referendo”, apesar de compreender que “haja outros que digam não a referendos”. “Mas não acham que estará na altura de, cumprindo o tratado orçamental, alguém pedir a sua reavaliação em face do que aconteceu e do que estará a acontecer?”, apelou, criticando um tratado que impõe uma visão neoliberal do mundo.