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Mário Soares (1924-2017)

Pedro Passos Coelho: “Será impossível escrever a História de Portugal sem nela constar Mário Soares”

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Passos Coelho e Mário Soares cruzaram-se muitas vezes nos últimos 35 anos. Sempre com "cordialidade", mas também "discordando com veemência". O líder do PSD fala de um "dia triste".

EDUARDO COSTA/LUSA

O presidente do PSD e ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho já reagiu à morte de Mário Soares, um momento “muito triste para todos os portugueses”, pois o ex-governante e histórico socialista era uma “personalidade muito peculiar na democracia”.

Mário Soares foi importante, em primeiro lugar, no regime democrático, pois foi um dos fundadores deste regime. Foi alguém que acumulou funções de relevo ao longo de todos estes anos, como dirigente partidário, como primeiro-ministro e Presidente da República, e será impossível escrever a História de Portugal nestes últimos anos sem nela constar a intervenção política – em muitas ocasiões decisiva – de Mário Soares”, explicou Passos Coelho em Barcelos, à margem de um almoço com empresários locais.

Para o líder da oposição, Soares foi um político “polémico”, mas que “combateu pelas suas ideias”, o que lhe trouxe “muitos amigos e, também, adversários”.

Um desses adversários foi o próprio Passos Coelho, que recorda as ocasiões em que os dois discordaram. “Cruzei-me várias vezes com Mário Soares ao longo dos últimos 35 anos. E sempre tive com ele uma relação de respeito e cordialidade. Claro que houve momentos em que discordámos mais, como quando estive no Governo. Houve momentos em que Mário Soares se pronunciou mais veementemente em relações às posições que eu fui seguindo. Mas isso não perturbou as nossas relações”, explicou Pedro Passos Coelho.

E concluiu, endossando condolências à família de Mário Soares: “Ninguém negará que lhe devemos um profundo respeito. Será mesquinhez não sublinhar o seu papel decisivo na sociedade”.

Numa nota de pesar pelo enviada mais tarde para as redações, o PSD sublinha que “desaparece alguém que sempre será recordado como uma das personalidades mais marcantes da história contemporânea de Portugal”. E nota que, apesar dos “erros e polémicas” em que esteve envolvido ao longo da sua vida política, Mário Soares “deverá sobretudo ser recordado enquanto defensor da liberdade e da democracia”.

“Ao longo de uma vida muito rica e multifacetada, o Dr. Mário Soares deixou uma marca profunda em todas as funções que exerceu, fosse na sua vida profissional, como advogado (em que se notabilizou na defesa dos perseguidos políticos), fosse na sua atividade política, em que merecem destaque o exercício de funções como Presidente da República durante dez anos e como Primeiro-Ministro de três Governos Constitucionais”, lê-se.

Os elogios continuam, com o PSD a destacar “aquilo que deve ser um político em democracia: alguém que se bate até à exaustão pelas causas em que acredita, mas que sabe sempre fazê-lo com tolerância, com espírito de abertura e com a capacidade para construir os entendimentos que a defesa do interesse nacional exige”.

“Neste momento de luto e de profunda tristeza para todo um país, o PSD deseja endereçar as suas mais sentidas condolências à família do Dr. Mário Soares, em particular aos seus filhos e também ao Partido Socialista, de que foi fundador e secretário-geral durante mais de doze anos”, termina.

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