Vários animais, várias formas de dormir. Estudar a forma como os animais dormem ajuda a perceber este fenómeno vital e a entender também formas de contornar os nossos próprios problemas de insónias. Se já tínhamos falado que os elefantes africanos dormem apenas duas horas por dia e, por vezes, estão até 48 horas sem dormir, neste artigo apresentamos-lhe outras formas curiosas de descansar de alguns animais.

O sono continua a ser um enigma para os cientistas. A razão pela qual tanto os humanos como os animais têm necessidade de dormir, ainda que de formas diferentes, continua sem razão específica, conta o El Español. Para além disso, os cientistas continuam sem perceber que utilidade o sono tem e o que é que realmente acontece no nosso subconsciente quando descansamos. Nem porque é que o sono se expressa de tantas formas diferentes.

Quando foi provado que os elefantes precisavam apenas de duas horas de sono por dia, entendeu-se que a quantidade de sono necessário não é proporcional ao tamanho do animal. As girafas e os cavalos, por exemplo, são animais grandes e descansam pouco mais do que os elefantes. Por sua vez, o gato pode dormir até 12 horas por dia e um morcego até 20 horas.

“O sono caracteriza-se por ser um descanso periódico e reversível do estado de consciência e, geralmente, é acompanhado por uma determinada posição do corpo” explicou Javiere Puertas, chefe da Unidade de Transtornos do Sono do Hospital Universitário de Valência.

O sono acontece em todas as espécies, ainda que com muitas variações. Segundo o especialista, há que dividir os animais em dois grupos: sangue quente (mamíferos e aves) e sangue frio (repteis). O primeiro grupo caracteriza-se por ter um sono mais lento e profundo e que, normalmente, entra na fase de sonho. O segundo grupo, pelo contrário, não chega a entrar na fase de sonho por ter um tipo de descanso mais rápido e menos profundo. Ainda assim, há exceções: o dragão barbudo, por exemplo, pode sonhar.

Uma questão de ciclos (noite e dia)

Seja em que espécie for, tanto os ritmos cardíacos como as mudanças biológicas produzidas num espaço de 24 horas varia consoante a luz ou escuridão que se verifica. Consoante estes ciclos, o período de sono estabelece a sua organização, ainda que não seja tão metodológica como se poderia pensar.

“Uma criança tem um ciclo de sono de umas três horas, mas à medida que vai crescendo vai adaptando a sua organização de forma a agrupar o seu descanso entre as sete e as oito horas de sono típica dos adultos”, conta Javiere Puertas, acrescentando que, sem dúvida, “continuamos a ter interiorizado este ciclo inicial, por isso é normal que se acorde passadas duas ou três horas de sono, ainda que muitas pessoas nem se apercebam da interrupção e voltem a adormecer”.

Dormir a nadar e a voar

Mas para além da diversidade da quantidade de horas que dormem as diferentes espécies, elas têm também várias formas de dormir. Alguns animais, por exemplo, não se podem dar ao luxo de dormir e colocar todo o seu cérebro a descansar. São exemplo disso os mamíferos marinhos.

“Os golfinhos mantém metade do seu cérebro em alerta para conseguirem continuar a nadar, caso contrário, não conseguiriam vir à superfície respirar”, explica o especialista. O mesmo acontece com as aves, especialmente as que têm ciclos migratórios e que são capazes de voar horas e horas sem parar. Elas conseguem dormir ao mesmo tempo que movimentam as asas e orientam a sua direção.

Aliás, nem os humanos conseguem dormir de forma assim tão profunda como se pensava: “Nós não temos uma desconexão total, o nosso cérebro continua a processar informação. É por isso que conseguimos acordar quando um bebé chora ou quando o telefone toca”, concluiu Javiere Puertas.

Na opinião do especialista, a ciência tem-se apenas debruçado nos problemas que originam a falta de sono e só nos últimos anos é que se começou a estudar alguns factos interessantes sobre a natureza do sono e a sua função.

Estudar as insónias nos animais

O habitual nas investigações sobre o sono é estudar patologias relacionadas com o mesmo, como a apneia. Porém, a mais normal é, simplesmente, a impossibilidade de adormecer, as insónias. Se, por um lado, nos humanos é mais fácil estudar as insónias, que por norma se devem ao stress, nos animais estudar o fenómeno é bem mais complicado.

Georgina Cano, uma investigadora espanhola nos Estados Unidos, estudou o fenómeno em ratos. A investigadora colocou um macho numa jaula onde já tinha estado outro macho, sem a limpar. A jaula estava, portanto, cheia de dejetos e feromonas. O que se verificou foi que o segundo animal começou a desenvolver stress, o que afetou o seu sistema sensorial e, por consequência, o seu sono. O rato desenvolveu, assim, uma característica de insónia idêntica à que os humanos também desenvolvem.

O que ainda não se sabe é se o stress também provocou pesadelos ao ratinho do estudo. Ainda assim, alguns ensaios têm sugerido que os animais também experimentam algo muito semelhante aos nossos sonhos, ainda que não tão elaborados.

Mas mesmo com o avanço da ciência, existem ainda muitas questões no que diz respeito ao sono. Sabe-se que é fundamental e que, inclusive, ajuda na aprendizagem e na memória, pois é durante o sono que se armazenam e organizam os acontecimentos e conhecimentos do dia.