Juntou-se ao corpo norte-americano de Marines quando andava na universidade, em 2007, e logo no ano seguinte foi enviado de Lovettsville, na Virginia, para o Iraque. Foi durante a segunda comissão que fez, no Afeganistão, dois anos depois, que tudo o que podia correr mal correu ainda pior e a sua vida mudou.

No dia 22 de julho, quando estava com a unidade a que pertencia a proceder à limpeza de uma zona até então dominada pelo exército talibã, Rob Jones ficou gravemente ferido, na sequência da explosão de uma mina terrestre. Os médicos não tiveram outra opção se não amputar-lhe ambas as pernas, a esquerda pelo joelho, a direita um pouco acima, explica no site Rob Jones Journey.

Por dia, explica também no site, citando um estudo recente, serão cerca de 20 os veteranos das forças militares dos Estados Unidos que decidem suicidar-se. Foi para chamar a atenção para as dificuldades com que se deparam e para ajudar as associações de veteranos, através da angariação de fundos, que Rob Jones, de 32 anos, se dispôs a correr 31 maratonas em 31 cidades diferentes e no espaço de apenas 31 dias.

Começou no passado dia 12 de outubro, em Londres, e no dia seguinte, tirando partido das 5 horas de diferença entre as duas cidades, correu outros 42 quilómetros em Filadélfia. E no dia a seguir mais 42 em Nova Iorque, e por aí em diante até parar finalmente a 11 de novembro em Washington, Dia Nacional dos Veteranos, depois de um glorioso périplo costa a costa em que passou por 23 Estados e até deu um salto ao Canadá.

“Estou só a tentar fazer passar uma história sobre um veterano. Fui para o Afeganistão. Tive uma experiência traumática. Perdi ambas as pernas. Mas mesmo assim consegui voltar para casa e encontrar um novo caminho e uma nova forma de contribuir para o meu país e de continuar a lutar. Só quero fazer com que esta história se torne conhecida para que outras pessoas possam fazer uso dela”, explicou no final da última maratona o veterano ao USA Today.

Ao longo do mês de corridas, Rob Jones viveu numa caravana, com um amigo, a mãe, e a mulher, a também atleta paralímpica Pamela Relph, britânica, que conheceu nos Jogos de Londres, em 2012. Ele correu 1.302 km, eles conduziram-no ao longo de 15.450 km. O objetivo inicial — angariar um milhão de dólares para os veteranos — não foi atingido, mas o site continua a aceitar donativos.

Não foi a primeira vez que Rob se dispôs a quebrar os próprios limites para chamar a atenção para a causa. Entre 14 de outubro de 2013 e 13 de abril do ano seguinte, atravessou o país de bicicleta e ligou Bar Harbor, no Maine, a Camp Pendleton, na Califórnia. Foram 181 dias a pedalar ao longo de 8.336 quilómetros — e 126 mil os dólares que angariou para três associações de veteranos.

Foi depois desta viagem e de se ter dedicado ao treino do triatlo, para competir nos Jogos Paralímpicos de 2016, que decidiu passar às maratonas: depois de ter conseguido uma medalha de bronze em remo nos Jogos de 2012, em Londres (a mulher, Pamela, ganhou duas de ouro, na mesma modalidade), Rob falhou a qualificação.

“Aprende-se uma lição em cada derrota. Nessa ocasião a lição foi que tinha talento para correr. Era capaz de fazer 5 quilómetros em 18 minutos, o que é bastante rápido. Sabia que a distância de uma maratona era muito dura mas queria mostrar aos veteranos que é importante continuar sempre a lutar”, disse na altura ao Comité Paralímpico Internacional.