O grupo Meredith, dono de revistas como a People e a Sports Illustrated, chegou a acordo para a compra da revista Time — por 2,84 mil milhões de dólares (2,4 mil milhões de euros) — numa operação patrocinada pelos magnatas Koch Brothers, multi-milionários ligados à indústria e ao setor da energia e importantes financiadores do partido republicano.

Os magnatas contribuíram com 650 milhões de dólares para esta operação, o que lhes irá conferir uma participação acionista na nova empresa que será criada. Porém, o grupo Meredith apressou-se a garantir que o financiamento da compra pelos Koch não significa que o grupo industrial terá qualquer interferência editorial, nem terá lugares na administração. A garantia do grupo comprador é que o investimento dos Koch se explica pelo “valor significativo” que esta fusão irá “desbloquear”, num negócio “transformador” para o setor dos media nos EUA.

Além da Sports Illustrated e da People, o grupo Meredith é dono da Fortune e a Entertainment Weekly, entre outros títulos. O grupo já tinha tentado comprar a Time em 2013, sem sucesso, mas acabou por conseguir o financiamento necessário para conseguir luz verde por parte da administração da Time, que aceitou os 18,50 dólares por ação oferecidos, quase 50% mais do que a cotação bolsista antes do anúncio do negócios.

Além do financiamento dos Koch, o grupo Meredith assumiu empréstimos volumosos por parte de credores que não foram identificados. É um negócio financiado sobretudo com dívida, já que, recorda o The Guardian, o grupo Meredith tinha apenas 28 milhões de dólares no banco — cerca de 1% do valor da compra da Time Magazine.

A revista Time tem uma história de mais de 90 anos e o seu apogeu, enquanto instituição nos EUA, foi nos anos 80 — precisamente a altura em que o presidente Donald Trump começou a ganhar dinheiro, como magnata do imobiliário, e se tornou um socialite em Nova Iorque. Apesar de a Time já não ter o impacto cultural que tinha nessa altura, Trump continua a ter uma obsessão bem documentada com as escolhas da Time para “Pessoa do Ano”, uma distinção que acabou por conseguir em 2015 (ainda que com a legenda “Lidem com ele”).

Já em 2017, contudo, Trump voltou a criticar a revista e chegou a escrever no Twitter que a Time o tinha contactado porque “provavelmente” o iria escolher para Pessoa do Ano de 2017. Mas Trump garantiu que não iria aceitar a distinção, até porque “iria envolver uma grande sessão fotográfica” — algo que os responsáveis pela revista garantiram não ter “um pingo de verdade”.