A bolsa nova-iorquina fechou esta segunda-feira em forte recuo, com os investidores a provocarem a queda de alguns valores simbólicos da tecnologia, como Amazon ou Intel, e o receio do agravar das tensões comerciais internacionais. O índice emblemático Dow Jones Industrial Average perdeu 1,90%, para os 23.644,19 pontos, depois de ter estado a perder durante a sessão 3,15%.

A queda mais forte de todas foi a do tecnológico, que recuou 2,74%, para as 6.870,12 unidades, mas chegou a estar a perder 10,3%, em relação ao seu máximo estabelecido em 12 de março. O índice alargado S&P500, quanto a si, desvalorizou 2,23%, para os 2.581,88 pontos. Os investidores continuaram a sofrer os efeitos do escândalo provocado pela divulgação da utilização de dados de 50 milhões de utilizadores da Facebook pela sociedade de consultoria britânica Cambridge Analytica. “Toda esta história poderia implicar mudanças importantes no modelo económico ou na supervisão regulamentar das empresas que vivem dos dados dos seus utilizadores”, sublinhou Art Hogan, da Wunderlich Securities, Estas novidades podem reduzir os seus lucros.

A Facebook, que já caiu fortemente nas duas últimas semanas, tornou a perder esta segunda-feira 2,75%. A Amazon, por seu lado, desvalorizou 5,21%. Além das ameaças sobre o setor tecnológico, o grupo de distribuição voltou a ser atacado por Donald Trump que, em várias mensagens divulgadas na rede social Twitter, no sábado e esta segunda-feira, criticou as suas práticas fiscais e o seu uso do serviço postal dos EUA. O fabricante de ‘chips’ Intel, por sua vez, cedeu 6,07%, no seguimento de informações divulgadas pela comunicação social que dão conta da vontade da Apple desenvolver os seus próprios ‘chips’. Outra empresa na linha de mira é a construtora de automóveis elétricos Tesla que, depois de ter perdido mais de 25% desde o seu máximo, estabelecido em fevereiro, caiu mais 5,13%.

Perante a derrocada de todos estas ações que, por norma, exibiram desempenhos superiores aos do resto do mercado, “está-se claramente em vias de rever as valorizações do conjunto do mercado”, na expectativa da próxima época de divulgação de resultados empresariais, observou J. J. Kinahan, da TD Ameritrade. Os investidores foram também afetados pelas ameaças que pesam sobre as trocas comerciais. O anúncio feito esta segunda-feira pela China da imposição de novas taxas sobre 128 produtos provenientes dos EUA, uma represália subsequente às taxas alfandegárias impostas por Trump sobre as importações de aço e alumínio, alimentou o receio de um conflito comercial aberto entre os dois gigantes económicos mundiais.

Os investidores foram ainda perturbados por uma nova salva de mensagens de Trump contra o México, que, acusou, “não faz nada” para impedir os emigrantes da América Central de passarem as suas fronteiras. No domingo, numa mensagem divulgada na Twitter, Trump ameaçou suspender o acordo comercial entre os EUA, o Canadá e o México, que se encontra em fase de renegociação.