Irlanda do Norte

Grupos de defesa dos direitos das mulheres pedem legalização do aborto na Irlanda do Norte

A Amnistia e outros grupos de defesa dos direitos das mulheres vão intensificar a campanha pela legalização do aborto na Irlanda do Norte. Ativistas esperam que referendo no país vizinho abra porta.

A Irlanda votou na sexta-feira a legalização do aborto até às 12 semanas de gravidez

AFP/Getty Images

A Amnistia irlandesa e outros grupos que lutam pelos direitos reprodutivos das mulheres pretendem intensificar a campanha pela legalização do aborto na Irlanda do Norte na sequência da realização de um referendo na vizinha Irlanda, cujos primeiros números oficiais dão uma vitória esmagadora ao “sim”, um resultado histórico num país tendencialmente conservador, que só aprovou o divórcio em 1996.

A Irlanda do Norte apenas permite a interrupção da gravidez por motivos médicos, o que leva a que muitas mulheres escolham viajar até Inglaterra ou outros países para abortarem. É atualmente o único país do Reino Unido onde o aborto não é legal. “Na sequência da votação histórica pela legalização do aborto na Irlanda, fica claro que a lei na Irlanda do Norte precisa mudar”, defendeu o BPas, o serviço de aconselhamento à gravidez britânico, citado pela Bloomberg. “Todos os dias, três irlandesas viajam para fora da Irlanda do Norte para terem acesso ao tratamento ou então compram ilegalmente comprimidos que provocam o aborto, arriscando passar a vida na prisão.”

Colm O’Gorman, diretor-executivo da Aministia Internacional irlandesa, considerou que, com o referendo desta sexta-feira, a Irlanda “andou noutra direção”. “O voto de hoje envia uma mensagem para a Irlanda do Norte, El Salvador, Polónia e outros lugares onde a luta continua. É possível mudar. Os estados que estão a considerar restringir o acesso ao aborto deviam tirar uma lição da Irlanda”, disse. O grupo de ativistas Liberty UK, com sede em Londres, também defendeu que as “leis vitorianas da Irlanda do Norte em relação ao aborto também têm de cair”.

Na sexta-feira, os irlandeses foram chamados a votar uma alteração à Constituição que permite a legalização do aborto até às 12 semanas de gravidez. As projeções à boca da urna sugerem que a maioria dos irlandeses concordou com a revogação da Oitava Emenda e com a aprovação do aborto pelo Parlamento irlandês. Uma tendência confirmada pelos resultados finais divulgados até agora, que dão uma vitória ao “sim” com mais de 60% dos votos. Estes só começaram a ser contados na manhã deste sábado e espera-se que os resultados finais sejam anunciados ao final da tarde.

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