Tony Blair

Brexit. Tony Blair defende novo referendo: “É uma confusão total e completa”

O antigo primeiro-ministro britânico descreveu o Brexit como uma "total e completa confusão" e acredita que se deve realizar um novo referendo com a possibilidade de o país poder ficar na UE.

Tony Blair diz ser "apaixonadamente contra o Brexit"

TOLGA AKMEN/AFP/Getty Images

Dias depois de o governo de Theresa May ter divulgado a estratégia para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), Tony Blair defendeu, numa entrevista à Agence France Press (AFP), que se deveria realizar um novo referendo para manter a possibilidade de o país poder ficar na UE.

“Uma vez que isto começou com um referendo, só pode ser terminado com uma nova votação”, afirma o antigo primeiro-ministro.

A posição de Tony Blair relativamente ao Brexit, que descreveu como sendo uma “total e completa confusão”, não é nova. Vem na linha do que já tinha defendido numa entrevista à Radio 4 da BBC, em dezembro passado, quando considerou que as mentiras que tinham sido contadas ao longo da campanha justificavam uma nova consulta junto do povo britânico.

“Sou apaixonadamente contra o Brexit e ainda acredito que possa ser mudado”, acrescenta Blair à AFP.

Quanto a Theresa May, que ocupa o cargo onde Blair esteve durante dez anos, o antigo líder trabalhista não tem dúvidas de que a primeira-ministra tem “o cargo menos invejável na política Ocidental” e sublinha o trabalho que tem feito na tentativa de unir os conservadores no que toca ao plano de saída da UE. Recorde-se que, desde a semana passada, vários membros do governo apresentaram a demissão.

Acredita, contudo, que está na hora de May admitir que um novo referendo é mesmo a única solução — “não há outra saída” –, especialmente quando o prazo para a saída do Reino Unido, agendada para março de 2019, se aproxima a passos largos. Até porque, segundo Blair, a estratégia apresentada pelo governo de May é “pouco consistente” e que deixa o país “meio dentro, meio fora” da UE, além de que não deverá ser aceite por Bruxelas.

Para o antigo primeiro-ministro britânico, uma vez que o Parlamento está “paralisado”, a única forma de resolver esta questão será “devolvendo-a” ao povo britânico.

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