O que importava era matar e ter impacto. Os autores dos atentados de 17 de agosto de 2017, em Barcelona e Cambrils, tiveram várias dúvidas sobre quais deveriam ser os alvos a atacar naqueles dias. Acabaram por avançar com uma carrinha pelas Ramblas, num ataque que matou 13 pessoas e feriu outras 100. Parte da investigação foi agora desclassificada e mostra que, dias antes, a célula terrorista pertencente ao Estado Islâmico, estudou avançar com o atentado noutros locais como o festival de reggae Rototom Sunsplash, em Benicasim (Valência), o estádio de Camp Nou, durante um Barcelona-Bétis da Primeira Liga espanhola, e também a discoteca Colososo, em Lloret de Mar, um dos locais de diversão mais frequentados pelos finalistas portugueses durante os anos 2000.

O El Mundo explica que as informações sobre as pesquisas foram recolhidas pela polícia catalã (Mossos d’Esquadra) através de um cartão SIM retirado de um telemóvel encontrado na casa de Alcanar (Tarragona) onde os ataques foram preparados, e que mostram também fotos dos terroristas a equipar-se com cintos de explosivos e gravações das suas conversas. Este espaço serviu de “laboratório” dos terroristas para fabricarem os explosivos a utilizar nos atentados e ali terá havido uma explosão um dia antes do atentado que teve influência na escolha do local. Nessa explosão a casa foi destruída e mais tarde foi mesmo encontrado o corpo de um dos terroristas envolvidos.

As primeiras pesquisas de locais a atacar, a 20 de julho, centraram-se nas mesquitas xiitas de Barcelona, Madrid e L’Hospitalet de Llobregat. A 8 de agosto, foi a vez de procurarem informação sobre a estação de metro da Sagrada Família, em Bracelona, a discoteca Colossos, em Lloret del Mar, bem como outros bares e discotecas de Lloret. Na mesma data, os terroristas também pesquisaram por “monumentos bonitos de Barcelona.”

No caso da pesquisa sobre a discoteca Colossos, os terroristas procuravam perceber qual era a capacidade do estabelecimento (que tem capacidade para 1600 pessoas). A polícia acredita que o ataque ao Bataclan, a 13 de janeiro de 2015, em Paris, teria inspirado os terroristas de Alcanar a optar por um local de diversão noturna.

Nesse mesmo 8 de agosto, ainda a 9 dias dos atentados, em apenas 25 minutos o nome “Sagrada Família” foi procurado 43 vezes pelos terroristas, enquanto a frase “Sagrada Família metro station” foi pesquisada 38 vezes em 12 minutos. Esta não é uma surpresa, já que um dos terroristas, Mohamed Houli — que se encontra em prisão preventiva — já teria confessado em tribunal que um dos objetivos da célula era atacar “várias igrejas em Barcelona“, revelando que a Sagrada Família era um dos alvos iniciais. A ideia era demolir a obra de Gaudí ou, na impossibilidade de o fazer, causar o “máximo de danos possíveis”.

A 12 de agosto, a apenas cinco dias dos atentados, novos alvos começam a ser ponderados. Os terroristas passam a concentrar as pesquisas nas maiores discotecas de Barcelona (a Pachá de Barcelona), em partidas de futebol da primeira divisão espanhola (com particular interesse no Nou Camp, estádio do FC Barcelona), na sala de concertos Razzmatazz de Barcelona, num cinema pornográfico (Sala Bagdad) e também em discotecas gay em Sitges. No dia seguinte, a 13 de agosto, o interesse dos terroristas centrou-se  festivais de música, como o Rototom em Benecasim. A 14, as pesquisas centraram-se no FC Barcelona-Bétis, que se realizaria a 20 de agosto. Os terroristas tiveram particular interesse em recolher informações sobre as entradas e as saídas do estádio do Barcelona.

A mesma investigação, como revela ainda o El Español, os terroristas tentaram alugar veículos todo o terreno (4×4) que facilitassem o atropelamento em massa. Uma das empresas de aluguer relatou que um dos terroristas tentou alugar três veículos com essas características por três dias: dois BMW X3 e um Nissan X-Trail. O mesmo terrorista queria alugar os três veículos sozinho, o que a empresa disse não ser possível, uma vez que só permitia o aluguer de um carro por pessoa. Os terroristas acabaram por conseguir alugar quatro carrinhas vans noutro local para transporte e para ataques: uma delas foi a utilizada no atropelamento nas Ramblas.