Só vão ser produzidas 40 unidades e, por cada uma delas, é necessário pagar 5 milhões de euros – antes de impostos –, ou seja o dobro do que a Bugatti pede por um Chiron. Mas apesar do despropositado incremento do preço, há muito mais do que 40 candidatos ao modelo francês.

Para apresentar o novo Divo, a Bugatti escolheu Pebble Beach, local que anima anualmente o mundo automóvel com o Concours d’Elegance que organiza nas proximidades de Monterey. Mas as muitas beldades sobre rodas que se deslocaram à exposição californiana, empalideceram na presença do novo modelo da Bugatti. Isto apesar de o Divo ser uma série muito – muiiiito – especial do já conhecido Chiron, com 1.500 cv.

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O construtor mostrou o Divo e anunciou o preço, logo nos EUA, um dos principais mercados para a marca, mas há uma série de características que guardou para revelação futura, muito provavelmente quando voltar a apresentar o modelo na Europa, no Salão de Paris. Mas isso não nos impede de constatar que que não há uma peça da carroçaria que não tenha sido profundamente alterada. A frente mantém a grelha em forma de ferradura, que eternizou a marca criada por Ettore Bugatti, mas a quantidade de entradas de ar aumentou consideravelmente. Como se isso não bastasse, o splitter (lábio inferior sob  pára-choques) também cresceu, para dar mais apoio aerodinâmico à frente, tornando-o mais eficaz em curva. Até o capot da frente passa a exibir umas entradas e saídas de ar, com estas segundas a servirem para reduzir o turbilhão na base do pára-brisas, optimizando a aerodinâmica.

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As laterais do Divo têm em cima as tradicionais entradas de ar para refrigerar o motor, mas em baixo surgem saídas de ar para extrair o ar quente dos travões e pneus – que o fabricante persegue igualmente com os novos ventiladores no topo dos guarda-lamas anteriores –, e generosas entradas de ar para arejar os travões posteriores.

Mas é talvez na traseira onde surgem mais diferenças em relação ao Chiron, com o Divo a exibir um maior extractor de ar, uma asa muito maior e ligada à carroçaria por uma barbatana vertical, surgindo na traseira do tejadilho uma entrada de ar tipo naca, para dar ar à cavalagem.

Com tudo isto, a Bugatti garante que o Divo é 35 kg mais leve, consegue atingir 1,6g em curva e beneficia de mais 90 kg de downforce graças aos maiores apêndices aerodinâmicos, para o ajudar a colar ao solo, especialmente em curva. E para se ver como a carga aerodinâmica cresceu, a Bugatti anuncia para o Divo “apenas” 380 km/h, longe pois dos 420 do Chiron normal, ou dos 460 km/h que o modelos é capaz de atingir com outros pneus. Mas este não é um kit que se aplique num Chiron apenas para o tornar mais exuberante e atraente, parecendo evidente que a Bugatti tem um objectivo específico para o Divo e que passa por explorar o seu potencial em pista, numa comparação directa com os hiperdesportivos que vêm aí, tanto o Mercedes Project One, como o Aston Martin Valkyrie.