Liberdade Religiosa

Israel. Casamento entre jornalista muçulmana e ator judeu cria polémica política

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O casamento entre a conhecida jornalista Lucy Aharish, muçulmana, e o ator Tsahi Halevi, judeu, foi feito em segredo para evitar que fosse boicotado. Um rabi condenou publicamente a cerimónia.

Lucy, 37 anos, e Tsahi, 43, casaram esta quarta-feira

רונן זיו עיצוב שיער/FACEBOOK

Tsahi Halevi é um ator que tem ganhado cada vez mais popularidade pela série “Fauda” ( que significa “caos”, em árabe) e é caos que parece ter sido criado pela união que celebrou esta quarta-feira com a jornalista Lucy Aharish, que apresenta um programa de informação com grande audiência em Israel. Mesmo tendo a cerimónia sido realizada em segredo para evitar problemas, os recém-casados receberam maldições direcionadas aos futuros filhos, viram a união condenada por um ministro ultrarreligioso e receberam outras ameaças nas redes sociais, avança o El País.

Na cerimónia, Lucy, muçulmana, e Tsahi, judeu, afirmaram estar a celebrar “um acordo de paz”. Em Israel, como o contrato de casamento civil não existe,  apenas são reconhecidas uniões religiosas. Isto faz com que casamentos interreligiosos sejam raros (em 2015, dos 58 mil casamentos, apenas 23 foram entre judeus e muçulmanos, revela o mesmo jornal). Há quatro anos que o casal estava junto, mas a relação não teve muita visibilidade nos media para evitar que judeus e muçulmanos extremistas os assediassem.

Contudo, mesmo com secretismo, o ministro do interior Ayre Deri, na quarta-feira fez questão de afirmar pela rádio estatal que o Estado deve ser contra a casamentos entre religiões para evitar a “assimilação de judeus”. “São um casal apaixonado que casou, mas isto não está certo”, disse ainda, apelado à jornalista que se converta. Para um deputado do partido do governo, Likud Oren Hazam, a única solução para Aharish é converter-se.

Mas nem todos são contra a união do casal, a deputada Shelly Yachimovich defendeu-os utilizando uma metáfora saída da saga de livros de magia do Harry Potter, de J.K. Rowling: “Não deixem que os Devoradores da Morte [quem segue Voldemort, o vilão dos livros] acreditem que só os mágicos puro sangue possam existir e que exista o direito a casar-se com um Muggle [quem não é mágico]”.

Apesar de Lucy Aharish sofrer discriminação em Israel por ser árabe, recebeu há três anos uma condecoração por ser modelo da integração dos cidadãos palestinianos, um prémio que lhe valeu críticas da própria comunidade por “normalizar a ocupação”. Já Tsahi Halev que, apesar de ser judeu, tem interpretado vários papéis de árabes, como o ditador Muamar Gadafi, ouviu críticas de Hazam por estar “islamizado”. Mesmo com críticas, nas redes sociais, o casal também recebeu inúmeras congratulações pela cerimónia.

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