A proposta de criação de uma plataforma online para vender fardas dos militares da GNR e dos agentes da PSP está de novo em discussão. Esta proposta está integrada no Orçamento do Estado de 2019, apresentado na passada segunda-feira, e com ela o Ministério da Administração Interna (MAI) prevê poupar cerca de três milhões de euros.

Faltavam cerca de 10 minutos para o prazo terminar quando o ministro das Finanças, Mário Centeno, entregou a proposta de orçamento na Assembleia da República. Entre muitas das propostas está a implementação do novo modelo de gestão do fardamento dos militares da GNR e de elementos da PSP ”de modo  a reduzir as imobilizações financeiras inerentes aos ‘stocks’ e a permitir a libertação de espaços, atualmente à confeção, armazenamento e venda de fardamento, bem como a reafectação de pessoal para o serviço operacional”.

Não é a primeira vez que se pensa em implementar esta medida. Paulo Rodrigues, dirigente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), conta à TSF que ”já há três ou quatro anos que se fala desta plataforma”.  “O problema é mesmo grave, porque há pessoas que querem adquirir fardamento e não peças ou não sabem como podem adquirir”, acrescenta.

A dificuldade em adquirir o fardamento é generalizada e, muitas das vezes, os agentes de autoridade têm que recorrer ao mercado negro. Se a medida for para a a frente, facilitará a vida de muitos agentes porque desta forma ” sabem que são peças oficiais e não precisam de ir a uma casa mandar coser ou bordar porque as calças não são bem iguais”, remata o dirigente.

Mas nem todos veem esta medida com bons olhos.  José Miguel, vice-presidente da Associação de Profissionais da Guarda (APG),  à mesma estação, apesar de não recusar que seja uma boa medida, mostra-se algo desconfiado quanto à eficácia de uma plataforma online ​​​​​​​para resolver esta questão. “Hoje em dia é muito prático e funcional, mas no que diz respeito a roupas e fardamentos, não creio que seja assim tão prático ou sequer viável num curto espaço de tempo”, considera.

São mais de 20 mil os profissionais que necessitam de fardas, situação que só pode ser revolvida depois de serem feitos “concursos internacionais, porque os valores ultrapassam determinadas plataformas”.