Rep Democrática do Congo

Número de mortos por ébola na República Democrática do Congo aumentou para 354

O número de mortes causadas pelo ébola em Kivu do Norte e Ituri subiu para 354 pessoas. A epidemia é já a maior da história na República Democrática do Congo relativamente aos contágios.

O Governo da República Democrática do Congo admitiu que a epidemia de ébola é já a maior da história do país, relativamente ao número de contágios

DENNIS M. SABANGAN/EPA

O número de mortos por contaminação de ébola nas províncias de Kivu Norte e Ituri, no leste da República Democrática do Congo, desde 1 de agosto, aumentou para 354, segundo dados de 24 deste mês do Ministério da Saúde congolês.

O Ministério da Saúde da República Democrática do Congo indicou que as localidades com mais mortes desde que foi declarada esta epidemia foram Beni, Mabalako, Katwa e Kalunguta, na província de Kivu Norte, e Mandima, em Ituri.

Comparativamente com os dados de 18 de dezembro, da Organização Mundial de Saúde (OMS), morreram mais 29 pessoas até à passada segunda-feira. Os registos de casos de contaminação com ébola — a grande maioria confirmados laboratorialmente — aumentaram igualmente, de 539 em 18 de dezembro para 583 até segunda-feira.

Esta epidemia de ébola foi constatada em Mangina, nas províncias de Kivu Norte e Ituri, alastrando até perto da fronteira com o Uganda, em Beni, região do grupo armado ADF, que multiplicou os ataques contra civis, o que complicou a resposta sanitária.

É a primeira vez que uma epidemia de Ébola é declarada numa zona de conflito, onde existe uma centena de grupos armados, o que leva à deslocação contínua de centenas de milhares de pessoas que podem ter estado em contacto com o vírus.

A insegurança complica e limita o trabalho dos profissionais de saúde que sofrem ataques ou mesmo sequestros realizados por grupos rebeldes, como aconteceu com três agentes de proteção civil e um epidemiologista na cidade de Matembo.

Nos últimos meses, a ONU inquietou-se com o risco de propagação da epidemia ao Burundi, Uganda, Ruanda e Sudão do Sul e uma resolução do Conselho de Segurança instou estes países africanos a reforçarem as capacidades operacionais para lutar contra a doença, em total cooperação com a OMS.

As eleições gerais previstas para 30 de dezembro na República Democrática do Congo foram adiadas para março de 2019 em algumas zonas de conflito e afetadas pelo vírus do ébola, comunicou esta quarta-feira a comissão eleitoral congolesa.

O adiamento será nas regiões de Beni e Butembo, na província do Kivu Norte, e na localidade de Yumbi, na província de Mai-Ndombe e a comissão eleitoral justificou o adiamento com a falta de condições de segurança.

Inicialmente previstas para 2016, as eleições de domingo foram já adiadas duas vezes, e, além de presidenciais, irão ainda permitir a escolha de representantes parlamentares a nível nacional e provincial.

O Governo da República Democrática do Congo admitiu que a epidemia de ébola é já a maior da história do país relativamente ao número de contágios. “[Esta epidemia] ultrapassa o da primeira epidemia registada na história [da República Democrática do Congo] em 1976”, afirmou o ministro da Saúde congolês, Oly Ilunga Kalenga, num comunicado divulgado em novembro pela agência de notícias espanhola Efe.

A República Democrática do Congo foi atingida nove vezes pelo ébola, depois da primeira aparição do vírus no país africano, em 1976. Em 1995, o vírus do ébola, que se transmite por contacto físico através de fluidos corporais infetados e que provoca febre hemorrágica, provocou a morte a 250 pessoas na cidade de Kikwit, na província de Kwilu, no sudoeste da República Democrática do Congo.

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