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Queridas inimigas. BMW e Mercedes podem unir-se

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Já lá diz o ditado: “a união faz a força”. Enquanto Volkswagen e Ford continuam a namorar, numa aproximação estratégica, surgem fontes que falam num possível casamento para breve entre BMW e Daimler.

Mobilidade eléctrica e condução autónoma parecem ser dois desafios suficientemente complexos a ponto de os construtores tradicionais esquecerem as diferenças que os separam, preferindo concentrarem-se naquilo que pode uni-los. Volkswagen e Ford já encetaram esse caminho, com a partilha de plataformas da VW para veículos comerciais, tudo indicando que esta aproximação estratégica se irá oficializar em 2019. E (também) ser replicada por outros dois grupos automóveis compatriotas, mas adversários de longa data: BMW e Daimler.

Já se sabia que os conglomerados germânicos pretendiam formar uma joint-venture, detida em partes iguais pelo BMW Group e pela Daimler AG, para constituírem uma empresa de mobilidade conjunta. Depois dessa aliança ter recebido luz-verde das autoridades da concorrência americanas, o que aconteceu no passado dia 18 de Dezembro, sabe-se agora que a associação pode ir muito mais além. Com base em fontes não identificadas, a Automotive News avança que já há conversações entre as duas partes, com vista a chegarem um entendimento que possa passar pelo desenvolvimento conjunto de plataformas, baterias para veículos eléctricos e tecnologias de condução autónoma. Ou seja, áreas em que duas marcas premium estão atrasadas, se considerarmos que a Mercedes está agora a dar os primeiros passos na mobilidade eléctrica (o EQC só está previsto para a 2ª metade de 2019) e a BMW “atirou” para 2020 a chegada do seu primeiro eléctrico moderno ao mercado (iX3). Ou seja, muito depois das rivais Jaguar e da Audi estarem a comercializar um modelo a bateria – I-Pace e e-tron, respectivamente.

Segundo a referida publicação, as negociações estão ainda num estágio muito embrionário, sem que grandes detalhes sejam conhecidos. Tanto mais que nenhum dos lados confirma sequer a existência dessas conversações. Mas a verdade é que uma aliança entre estes dois gigantes poderia não só permitir-lhes recuperar o tempo perdido, como reduziria drasticamente os avultados custos de desenvolvimento que serão necessários, em benefício de ambas as partes. E baixar o volume de investimento deve ser “música para os ouvidos” destes dois grupos que, ainda este ano, reviram em baixa os lucros que esperam alcançar, alegando que tal se deve, em parte, às quantias que estão a investir.

Daí que o jornal alemão Handelsblatt escreva que BMW e Daimler ponderam partilhar as patentes que já registaram no domínio dos sistemas de assistência à condução, sem os quais não há possibilidade de oferecer condução autónoma. Por outro lado, a partilha de plataformas abriria portas para que a oferta de veículos eléctricos, proposta por cada uma das marcas, rapidamente se multiplicasse. É que enquanto a Daimler prometeu uma dezena de modelos zero emissões até 2022, a BMW fala em 12, mas até 2025.

Por outro lado, convém não esquecer que esta não seria a primeira vez que as duas arquivais iriam “unir forças” para fazer frente aos desafios do futuro. Para além da joint-venture no campo da mobilidade urbana, que deverá concretizar-se até 31 de Janeiro, BMW e Daimler estão juntas na constituição de uma rede europeia de carga rápida para veículos eléctricos, a Ionity, que conta também com o envolvimento (e investimento) da Volkswagen e Ford.

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