No ano passado, a mortalidade de crianças até 1 ano de idade aumentou 26%, face a 2017. Os dados da Direção-Geral de Saúde (DGS), que ainda não foram validades pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e que ainda não têm uma justificação, são avançados pela edição desta segunda-feira do Correio da Manhã. O organismo estatal reagiu em comunicado desvalorizando o crescimento das mortes.

O diário refere que, de acordo com os números da DGS, foram registados 298 óbitos no ano passado. Em 2017, esse indicador tinha ficado nos 229 casos, o que representa um aumento de 26% de um ano para o outro.

Fonte da DGS, citada pelo CM, refere que “os dados de 2018 ainda não estão devidamente tratados pelo INE e também ainda é prematuro avançar com uma justificação e com as causas de morte, o que só será possível depois de feita a sua avaliação, mas mesmo assim são números preocupantes”.

Os dados de 2018 marcam uma viragem nesta realidade. Em 2017, Portugal tinha registado uma descida de 53 casos de mortalidade infantil, quando comparado com 2016. Esse foi apontado pelo INE como “o valor mais baixo observado em Portugal desde que há registos”.

DGS desvaloriza e fala em estabilização

A DGS,  através de um comunicado disponibilizado no seu site oficial, começa por recordar que “a mortalidade infantil é uma das melhores demonstrações da evolução qualitativa dos cuidados de saúde e das condições socioeconómicas em Portugal”. E recorda que, desde 2013, a média deste indicador em Portugal estabilizou, apresentando sempre valores próximos aos “3 óbitos por 1.000 nados-vivos”.

O comunicado, assinado pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, refere ainda que os valores provisórios relativos a 2018 estão em linha com essa tendência de estabilização. Em 2016, por exemplo, os valores registados são muito semelhantes àqueles que a organização tem como prováveis para o último ano: em 2018 estima-se que a média tenha ficado nos 3,28 óbitos por cada 1.000 nados vivos — em 2016, o indicador ficou-se pelos 3,24 por cada 1.000 nados-vivos.

Quando comparados com os dados de 2017 a variação é bem maior, já que nesse ano a média situou-se nos 2,69 por cada 1.000 nados-vivos. A DGS desvaloriza essa variação e tenta contextualizá-la recorrendo aos dados registados desde 2013. Por cada 1.000 nados-vivos contabilizaram-se 2,88 óbitos em 2014; 2,96 em 2015; 3,24 em 2016; e 2,69 em 2017.

No comunicado, a DGS utiliza precisamente os dados de 2016, que são os mais semelhantes com os que se perspetivam para 2018, para lembrar que Portugal é um dos países da UE com indicadores mais positivos neste capítulo.

Artigo atualizado às 13h15 desta segunda-feira, 21, com as informações relativas ao comunicado da DGS