É a partir das ilhas Caimão, um paraíso fiscal que é conhecido por ter sucursais das principais instituições financeiras internacionais, que o fundo americano Apollo controla as casas compradas ao grupo Fidelidade, um dos seus maiores e mais recentes investimentos. Segundo uma investigação do jornal Público, os novos proprietários das casas da seguradora têm três beneficiários no paraíso fiscal: o Apollo European Principal Finance Fund III (Master Dollar A), o Apollo European Principal Finance Fund III (Master Dollar B) e o Apollo European Principal Finance Fund (Master Euro B).

Além destes três fundos na Ugland House, que é sede de mais de 18 mil sociedades, há ainda duas sociedades estabelecidas pela Apollo no Luxemburgo. Esta é outra porta de entrada de várias empresas que, segundo o mesmo jornal, têm em vista os “acordos fiscais antecipados” realizados com o fisco, pelo regime favorável para a propriedade intelectual ou para conseguirem a isenção de dividendos e ganhos de capital.

Na lista dos novos donos das casas da Fidelidade há quatro empresas portuguesas: a Meritpanorama, a Fragrantstrategy, a Notablefrequency e a Neptunecategory. Estas empresas são detidas pela AEPF 35 que, por sua vez, é detida totalmente por outra empresa da Apollo que se situa na mesma morada: a AEPF III 13. Além das ilhas Caimão e do Luxemburgo, a Apollo tem ainda empresas espalhadas por várias praças financeiras do Estado norte-americano do Delaware, pelas ilhas Marshall, pelas Maurícias, Guernesey e Hong Kong.

Ao Público, a Apollo não deu qualquer justificação sobre o motivo desta estrutura dos seus fundos de investimento. No entanto, a Ugland House faz questão de indicar no seu site que “os seus investidores e consultores escolhem as ilhas Caimão por razões comerciais e empresariais prudentes, uma das quais é a neutralidade fiscal, e não a evasão fiscal. Os investidores são responsáveis pelos impostos no seu país de origem”.