Catástrofes

Ciclone Idai já provocou 43 mortos em Moçambique e Zimbabué. Há 46 pessoas desaparecidas

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A passagem do ciclone afetou milhares de pessoas, no Zimbabué, a eletricidade foi cortada e as principais pontes foram inundadas. Em Moçambique, há estruturas danificadas por toda a parte.

As Nações Unidas estimam que haja 600 mil pessoas afetadas de diversas formas pelas intempéries de março

NASA WORLDVIEW / HANDOUT/EPA

Pelo menos 24 pessoas morreram e 40 estão dadas como desaparecidas no leste do Zimbabué, na sequência da passagem do ciclone Idai, que também atingiu Moçambique, anunciou hoje o Ministério da Informação zimbabueano. Em Moçambique, pelo menos, 19 pessoas morreram e seis pessoas estão desaparecidas.

A passagem do ciclone afetou milhares de pessoas, no Zimbabué, a eletricidade foi cortada e as principais pontes foram inundadas na área de Manicaland, na fronteira com Moçambique, indicou à agência France Presse (AFP) Joshua Sacco, deputado do distrito de Chimanimani. “Pelo menos 25 casas foram destruídas devido a um deslizamento de terra na cidade de Ngangu, na área de Chimanimani”, e tinham pessoas que estavam no seu interior estão desaparecidas, adiantou Joshua Sacco.

Um balanço preliminar das autoridades moçambicanas divulgado na sexta-feira refere que o ciclone provocou 19 mortos na província de Sofala, sobretudo na cidade da Beira e arredores, zona onde a tempestade entrou em terra com a força máxima. No entanto, o número deverá ser maior, tendo em conta os relatos de diversas outras fontes que vão dando conta de outras mortes associadas à queda de casas precárias e afogamentos na província de Sofala, assim como na de Manica. O facto de continuar a haver falhas de energia e comunicações na região está a dificultar o levantamento da situação, disse um porta-voz do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC).

Há estruturas danificadas por toda a parte, sobretudo nos bairros mais pobres, com habitações precárias destruídas, estradas intransitáveis e rios a transbordar.

As seis pessoas desaparecidas foram arrastadas numa viatura e desafiaram a corrente do rio Haluma, no distrito de Nhamatanda, Sofala, disseram à Lusa várias testemunhas no local. O rio foi um dos que transbordou e cortou a Estrada Nacional 6, a principal estrada do centro de Moçambique, isolando a cidade da Beira, do resto do país – uma vez que o aeroporto da capital provincial está inoperacional, devido aos estragos, desde quinta-feira.

De acordo com quem observava o acidente a partir da fila que se acumula junto ao corte de estrada, dez passageiros seguiam no sentido Beira – Chimoio quando a viatura tentou atravessar a ponte sobre o rio Haluma, mas a corrente projetou-a, até ficar submersa.

As testemunhas viram quatro passageiros escapar, agarrados a ramos de árvores e ao atrelado de um camião, também imobilizado no local. “Vimos pessoas a morrerem ali à nossa frente”, contou à Lusa, Hermenegildo Barro, camionista. Uma outra testemunha disse que o condutor da viatura com passageiros na caixa de carga ignorou alertas de outros automobilistas para não atravessar.

De repente só vimos a parte traseira a levantar e a cuspir as pessoas”, disse à Lusa, Pascoal Meru, sendo que algumas não foram avistadas depois do acidente.

Residentes disseram à Lusa que há outras pontes submersas na região. As Nações Unidas estimam que haja 600 mil pessoas afetadas de diversas formas pelas intempéries de março no centro de Moçambique e que mais de um terço delas sejam crianças. Além da destruição de infraestruturas públicas (unidades de saúde e escolas), muitas perderam as casas, os alimentos e os campos de onde podiam obter algum sustento, aguardando agora por ajuda humanitária.

“A minha casa desabou por causa do ciclone”, disse à Lusa Anastácia Alficha, viúva, com três filhos menores, e que atravessam um terreno alagado com água pela cintura. Encontraram abrigo em casa de uma vizinha, mas não conseguiram dormir, dada a incerteza da situação que agora vivem, relatou.

O INGC e diversos parceiros internacionais estão na região a aguardar por melhores condições meteorológicas e de circulação para poder começar a entregar comida, montar abrigos e fazer reparações. Além de caravanas automóveis, há helicópteros prontos para distribuir ajuda.

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