“Fomos os primeiros a tentar desmontar as histórias de Wade e James, mas elas eram indestrutíveis”. O realizador de “Leaving Neverland”, um documentário que expõe abusos sexuais alegadamente cometidos por Michael Jackson a duas crianças, voltou a reagir às acusações sobre o seu novo trabalho, que está no centro de uma polémica sobre o rei do Pop. E voltou a sublinhar que não entende todo o silêncio que se fez à volta do assunto: “O facto de [Michael Jackson] ter dormido todas as noites da sua vida adulta com menores de idade, a portas fechadas e com o alarme ativado para que ninguém entrasse, foi aceite como normal”.

Em entrevista ao El País, Dan Reed começou por referir que não entende o que move os apologistas de Michael Jakcson a continuarem a defender o cantor, mesmo depois de todas as provas apresentadas. “A sua identificação com o Michael Jackson é total; tudo o que é dito sobre ele é considerado uma acusação pessoal”, sublinhou o realizador, acrescentando que “os herdeiros de Jackson não param de espalhar informações descontextualizadas ou manipuladoras”.

O cineasta contou também como funcionou todo o processo antes de começar a produzir o documentário que está nas bocas do mundo, referindo que foi feita uma análise ao detalhe de cada informação que era fornecida. E assegurou: “Não tenho dúvidas de que eles [Wade Robson e James Safechuck] estão a dizer a verdade. A minha equipa e eu comprovámos cada dado meticulosamente. Tudo se encaixa. E, no final, algo que me salva é que o documentário não é sobre Jackson, mas sobre as famílias que ele seduziu”.

No documentário, as duas alegadas vítimas contam que uma delas foi “deixada” para o cantor estar com uma outra criança. “Embora continuasse a convidá-lo para sua casa e a ter encontros sexuais, a criança entende que o período de proximidade e de companhia constante acabou”, refere Reed, assumindo que o que lhe custou mais ouvir em toda a história foi “a brutalidade emocional de um homem capaz de descartar uma criança e mandá-la para casa com dinheiro”.

Um dos aspetos que Reed refere que o convenceram mais na história das duas alegadas vítimas de abuso foi o facto de fornecerem detalhes e histórias muito específicas. “Se quisessem contar-me uma série de mentiras para levar os herdeiros de Jackson a julgamento, não era necessário entrar em detalhes tão específicos, sentimentos tão complexos e contraditórios”, sublinhou ao diário espanhol.

No caso de Michael Jackson há uma coisa que eu não entendo que não é dada mais importância: ninguém nega que ele tenha dormido com crianças, provavelmente uma dúzia delas. E, no entanto, ninguém fez nada. Ele era sexualmente ativo. A sua música não é assexuada”, referiu ainda Dan Reed.

Para o realizador, Michael Jackson “inventou um mito, uma mistura de Peter Pan e Flautista de Hamelin.”, e “quanto mais mítica é a forma assumida pelas pessoas, mais medo têm de perfurar essa aura”. “Estou muito curioso para entender como é que aquele menino bonito acabou por se transformar num predador sexual”, revelou.

(Artigo atualizado às 15h13)