Eleições Europeias

Reino Unido. Farage volta, baralha e prepara-se para ganhar de novo nas eleições europeias

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É provável que o Reino Unido participe mesmo nas europeias de final de maio, dado o impasse na saída da UE. E Nigel Farage, uma das principais caras do Brexit, surge como favorito, numa nova casa.

O eurodeputado eurocético beneficiou da queda do seu antigo partido nas sondagens e saltou para o primeiro lugar.

AFP/Getty Images

Caso concorra mesmo às eleições Europeias, o Reino Unido pode vir a confirmar a intenção de saída da União Europeia, numa espécie de segunda volta do referendo de 2016. Afinal, nas sondagens, destaca-se o partido do nacionalista Nigel Farage, o novíssimo Brexit Party que nasceu apenas no final de janeiro deste ano.

A existência do partido pode ser recente, mas o seu líder é o vencedor das últimas Europeias (2014), o eurocético Farage que conseguiu uma votação surpreendente nessa altura pelo UKIP que, entretanto, abandonou para agora aparecer a liderar uma nova força política também pro-Brexit. E também a convencer a maior parte do eleitorado britânico, capitalizando com os avanços e recuos dos últimos meses com o plano de saída do Reino Unido, mas sobretudo com a queda do anterior partido de Farage.

Os números mais recente do YouGov colocam o partido de Nigel Farage no topo das intenções de voto, com 27%. Só depois aparece o Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn, com 22%, e os conservadores Tories com apenas 15%. O antigo partido de Farage, o UKIP, recolhe 7% destas intenções e o Change UK (novo partido composto por dissidentes dos trabalhistas e dos conservadores, que tem nas listas Rachel Johnson, irmã do antigo MNE e atual deputado Boris Johnson) 6%.

A empresa de sondagens explica que este desempenho do Brexit Party beneficia sobretudo na descida de sete pontos percentuais do antigo partido do eurodeputado Farage, o UKIP — partido que abandonou no final do ano passado, condenado a “obsessão” do seu líder pelo ativista de extrema-direita Tommy Robinson e uma “fixação com a questão do Islão que tornou o UKIP irreconhecível”. Nessa altura, Farage avisou logo que existia “um enorme espaço para um partido pró-Brexit na política britânica, mas esse espaço não será preenchido pelo UKIP”.

Levou pouco tempo a aparecer com o Brexit Party como um partido que o seu fundador avisou logo que não vinha “apenas para concorrer as eleições eruopeias. Não é apenas para expressar a nossa raiva — 23 de maio é o primeiro passo do Partido Brexit. Nós mudaremos a política definitivamente”, disse Farage. No entanto, o Brexit continua em suspenso, por falta do acordo de saída.

A participação britânica nas eleições está, no entanto, praticamente garantida, apesar de a primeira-ministra Theresa May ainda ter dito que o Reino Unido “ainda pode sair antes de 22 de maio e não ir às eleições para o Parlamento Europeu”. Isto depois de ter ouvido o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, dizer que embora parecesse “um pouco estranho”, o Reino Unido participaria mesmo nas eleições marcadas para o final de maio.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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