Em janeiro, quando Antero Henrique, diretor desportivo do PSG, apertou ainda mais o cerco ao médio do Ajax Frenkie De Jong, Josep Maria Bartomeu, presidente do Barcelona, apanhou o avião de rompante e seguiu para Amesterdão. O líder dos catalães já conhecia o tipo de jogador que encontraria pela frente, com uma maturidade quase anormal para alguém de 21 anos e que antes de assinar pelos lanceiros recusou o primeiro convite por considerar que iria evoluir mais pelo Willem II naquela fase específica. Também por isso, foi com tudo. Até mensagens no telemóvel de outro nome bem conhecido no futebol.

Nessa altura, Neymar voltou a ser falado como uma possibilidade para regressar a Camp Nou e reforçar um Barcelona à procura de redefinir uma nova base que lhe permitisse abrir um novo ciclo em termos internos e europeus. Fontes próximas do avançado, ouvidas pelas publicações espanholas, abriram a porta a esse cenário; Bartomeu, até por uma questão de “elegância”, nunca fez comentários nem abriu expetativas. No entanto, o número 1 blaugrana teria SMS trocadas com o brasileiro sobre essa hipótese. E, como escreveu o El Mundo, serviram mesmo para dar o exemplo para o erro que seria se De Jong assinasse pelo PSG – mesmo percebendo-se que, podendo optar pelas duas opções, dificilmente o holandês iria cair para o Parque dos Príncipes.

Por não conhecer propriamente esse episódio dos bastidores da negociação de uma transferência que custou, para já, 75 milhões de euros aos cofres do Barcelona, Neymar, que até estava a recuperar de mais uma lesão grave (fratura no quinto metatarso do pé direito), foi deixando passar o tempo. Mais tarde, como conta esta quinta-feira o El Confidencial, houve um outro momento que não lhe passou ao lado. Longe disso. “Temos um projeto com o Dembelé e o Coutinho, com o dinheiro que recebemos da cláusula de rescisão de Neymar quando decidiu ir para o PSG. O nível do Dembelé é melhor agora do que o de Neymar. É muito melhor jogador do que Neymar e já está adaptado”, comentou Bartomeu no programa “El Rondo”, da TVE Catalunha. A vontade de sair dos parisienses mantém-se mas, agora, o brasileiro tem como objetivo reforçar o rival Real Madrid.

Como explicou na terça-feira o El Confidencial, nem mesmo as palavras do pai e representante do jogador, quando disse que Neymar pretende prosseguir a carreira nos franceses, serviram para colocar travão em torno das especulações sobre o futuro do brasileiro. E já estarão mesmo a existir movimentações no sentido de perceber a possibilidade de encontrar uma forma de dar a volta ao obstáculo mais complicado de contornar: a inexistência de uma cláusula de rescisão, como tinha no Barcelona. Sendo que, no meio desta novela, os merengues estão dispostos a cometer uma loucura pelo jogador mas sem fazer o “trabalho” de convencer os dirigentes do PSG a aceitarem esse cenário – que teria a vantagem de acabar de vez com os problemas do fair-play financeiro que continuam a ser resolvidos por portas secundárias, com novos contratos de patrocínios.

Há alguns dias, Wagner Ribeiro, um dos agentes que trabalha com Neymar, esteve com Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, e não escondeu esse encontro, tirando mesmo uma fotografia com o líder do clube e escrevendo a mensagem “A minha admiração por este senhor, o meu ídolo, o meu amigo, o meu presidente”. A relação entre ambos já vem da transferência de Robinho para Espanha, em 2005, mas o empresário continua a ser importante na criação de pontes para os merengues, como aconteceu na contratação de Vinicius, a jovem coqueluche brasileira da equipa. Pini Zahavi, outro agente de peso na entourage do internacional, já terá reforçado que o Real Madrid é a única hipótese de saída do PSG – até pela vontade de criar uma nova base para a era Zidane 2.0 que conte com dois ou três “galácticos” na sua base.

Para já, Neymar encontra-se a trabalhar em Paris para cumprir os últimos compromissos do clube na Ligue 1 (que está há muito ganha) antes da Copa América mas as semanas depois do regresso mostram o ambiente tenso que se vive no balneário: depois de ter criticado alguns jogadores da equipa após a derrota na final da Taça de França com o Rennes, onde agrediu um adepto quando estava a subir as escadas para receber a medalha de finalista vencido da competição, o brasileiro teve uma forte altercação com Draxler no final de novo desaire para o Campeonato frente ao Montpellier e teve mesmo de ser separado por Antero Henrique e Thomas Tuchel, que terão evitado o confronto físico entre ambos segundo o Le Parisien.