Courtney Barnett

19h50, palco NOS

Tal como no primeiro dia, os concertos começam em português, às 17h, com o rapper ProfJam no palco Super Bock — a apresentar o seu primeiro álbum completo, #FFFFFF, ainda assim com menor destaque do que no Super Bock Super Rock, onde terá honras de palco principal — e a cantora e multi-instrumentista Surma a apresentar Antwerpen (disco que deverá ter sucessor ainda este ano) no palco Seat. O festival deverá começar a aquecer, contudo, ao final da tarde e início de noite, com a australiana Courtney Barnett no palco principal. Jovem prodígio do slack rock e do indie-rock à antiga, voz ora frágil e prestes a quebrar-se ora desafiante e afirmativa, guitarrista talentosa capaz de ir da balada indie aos riffs a pedir moche. Nascida na Austrália, tem dois álbuns completos a solo e um disco gravado em colaboração com Kurt Vile. Os concertos são sempre bons, como provou neste mesmo festival em 2014.

Sons of Kemet

20h20, palco Pull and Bear

O jazz britânico vai fazer-se ouvir esta sexta-feira, no segundo do NOS Primavera Sound. Primeiro, atua a saxofonista e compositora residente em Londres Nubya Garcia, às 19h — que volta a Portugal em julho, para atuações em Lisboa (Musicbox) e Braga (gnration). Depois, às 20h20, sobem ao novo palco do festival os Sons of Kemet. Este quarteto londrino com balanço africano, autor de um afro-jazz futurista e cósmico também com voz e palavra, deverá dar um concerto enérgico no Parque da Cidade do Porto. Pode ser uma das boas surpresas e revelações do festival.

J Balvin

22h15, palco NOS

Foi uma das apostas mais arriscadas e polémicas do festival nos últimos anos. Alguns fãs mais antigos, habituados ao pop-rock indie que notabilizou o Primavera Sound durante muitos anos, ficaram surpreendidos e manifestaram alguma incredulidade perante a escolha de um artista de reggaeton para figura de destaque do cartaz. Se Rosalía e Solange — ou A$AP Rocky e Vince Staples, que atuaram no último ano — apelam a um público mais jovem mas chocam menos, J Balvin é um artista cujos méritos artísticos e cuja originalidade colocam mais dúvidas. E no entanto, é imprescindível ver o seu concerto, para perceber para onde caminha J Balvin — o último single com Rosalía e El Guincho, “Con Altura”, parece um bom passo em frente — e para melhor avaliar os méritos ou deméritos desta aposta de risco.

Violet

23h, palco Primavera Bits

Se o segundo dia do NOS Primavera Sound será fortemente marcado pelo jazz britânico (de Nubya Garcia e dos Sons of Kemet), também o será pela eletrónica. Às 23h, entra em cena Inês Borges Coutinho, mais conhecida no universo das pistas de dança pelo nome Violet. Elogiada recentemente pelo jornal norte-americano The New York Times, voltou a Portugal de Londres (para onde emigrara) em 2016 e é hoje uma das responsáveis pela Rádio Quântica, uma emissora digital dedicada à música alternativa, não apenas de dança.

Branko

23h40, palco Super Bock

A música de dança prosseguirá em força logo a seguir. Embora esteja previsto um concerto dos Interpol às 23h45, o pouco impacto dos últimos discos da banda norte-americana que marcou o início dos anos 2000 reservou-a a um lugar de menor destaque no cartaz. Continuam a ter um forte culto, claro, mas o interesse já não é o mesmo, sobretudo depois de alguns concertos “best-of” dados em Portugal nos últimos anos (neste mesmo festival há quatro anos e no festival Alive no ano anterior). As apostas na eletrónica serão, portanto, mais certeiras. Valerá a pena espreitar pelo menos o início da atuação do talento alemão da música de dança David August (às 23h30, no palco Pull and Bear), mas imperdível é a atuação de João Barbosa, português mais conhecido pelo nome Branko que passou pelos Buraka Som Sistema e que com um álbum editado este ano, Nosso, confirmou por inteiro que está entre a elite da música portuguesa. Convocado à última hora para substituir Kali Uchis, que cancelou a presença previamente confirmada, pode muito bem dar um dos concertos mais consensuais do dia, face aos anticorpos de J Balvin perante um público indie e às dúvidas ainda persistentes sobre a adequação de James Blake à dimensão (e acústica e distância para o público) de um palco principal de um festival de verão.

James Blake / JPEGMAFIA

1h, palco NOS / 1h, palco Pull and Bear

É provável que boa parte do público que estará neste segundo dia do festival NOS Primavera Sound se divida à 1h: embora a maioria deva deslocar-se ao palco principal para ouvir James Blake, haverá por certo alguns fãs de hip-hop que preferirão ir espreitar a atuação do emergente Barrington DeVaughn Hendricks, mais conhecido pelo nome JPEGMAFIA. A escolha dependerá, na verdade, do perfil de cada um: se é mais dado a artistas consolidados ou emergentes, se já viu James Blake em anteriores passagens por Portugal ou não, se acha — aqui muitos ouvintes dividem-se — que o músico inglês consegue transpor a sua música delicada e íntima para um grande palco de um festival de verão ou não. Talvez aqui se volte à velha prática do “espreitar um bocadinho de cada”.