Ainda faltam alguns dias para o início de setembro, mas a editora Tinta-da-China já revelou uma das novidades desta rentrée literária: o livro Sarah Affonso. O dia das pequenas coisas, o primeiro grande volume dedicado à modernista portuguesa caída no esquecimento e lembrada sobretudo como mulher de José de Almada Negreiros.

O livro, que chegará às livrarias a 27 de setembro, partiu da exposição com o mesmo nome, que será inaugurada dias antes no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, de modo a assinalar os 120 anos do nascimento de Affonso. Porém, e apesar de ser feito em parceria com o organismo museológico, O dia das pequenas coisas não se trata de um mero catálogo. Além da reprodução das obras da pintora, contará com ensaios inéditos de diferentes especialistas e uma fotobiografia.

O livro, que chegará às livrarias no final de setembro, pretende resgatar Sarah Affonso da obscuridade

O objetivo é resgatar o legado artístico de uma das mais notáveis modernistas portuguesas, última aluna de Columbano Bordalo Pinheiro com formação feita na Académie de la Grande Chaumière, em Paris, que, 120 anos depois, permanece em grande medida desconhecida. Com uma obra multifacetada, que vai do desenho à ilustração, passando pelo bordado e pelos azulejos, Sarah Affonso recorreu às suas memórias e vida familiar para criar uma obra muito própria que carece de maiores e novas abordagens críticas.

“Possa este livro, agora nas mãos dos leitores, proporcionar o início de um mais vasto conhecimento e reconhecimento da obra de Sarah Affonso e lançar a semente de muitas e novas abordagens ao seu legado artístico diverso, que é um testemunho rigoroso, analítico, informado e emotivo do seu tempo e da sua vida. Um tempo de que foi criadora e uma vida de que foi resistente e hábil tecedeira”, escreveu a diretora do Museu do Chiado, Emília Ferreira, no prefácio.

Uma das influências que bebeu encontra-se explorada numa outra mostra atualmente patente na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho pode ser visitada até 7 de outubro, coincidindo durante algumas semanas com a exposição do Chiado. Esta ficará na Ala Capelo até 5 de janeiro de 2020.