O ministério da Defesa da Arábia Saudita disse esta quarta-feira que  é “inegável” que o ataque contra duas das suas refinarias no passado fim-de-semana foi “patrocinado pelo Irão” e acrescenta que é falso que os drones tenham sido lançados a partir do Iémen.

“Este ataque não teve origem no Iémen, apesar de todo os esforços do Irão para tentar passar essa ideia”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa da Arábia Saudita, Turki al-Malki, dizendo que a possibilidade de os houthis — rebeldes xiitas que combatem a coligação saudita no Iémen — terem lançado o ataque é uma “falsa narrativa”.

“A cooperação do Irão com um grupo na região [os houthis] está a ser usada para criar esta falsa narrativa”, disse.

De acordo com a Arábia Saudita, o ataque terá partido do Norte do país e não a Sul, onde se encontra o Iémen. Para demonstrá-lo, foi demonstrado um vídeo de segurança de uma das refinarias atingidas, que, segundo o porta-voz Turki al-Malki, demonstrava drones a voarem uma trajetória de Norte para Sul.

Ainda assim, aquele responsável não referiu qual foi o local do lançamento do ataque. “Estamos a trabalhar para descobrir qual foi o local”, referiu. De acordo com a CNN, que cita fontes das administrações sauditas e dos EUA, é possível que o ataque tenha partido de uma base iraniana em solo iraquiano.

Para sustentar o envolvimento do Irão, o briefing saudita incluiu a demonstração de imagens dos destroços dos drones utilizados para o ataque, alguns dos quais foram expostos in loco na conferência de imprensa. Entre os destroços, encontram-se asas em forma de delta — uma característica dos drones iranianos, segundo porta-voz saudita.

O mesmo responsável disse ainda que os dados recolhidos dos aparelhos informáticos a bordo dos drones demonstram que estes têm origem iraniana.

O sauditas garantem ainda que abateram 18 drones iranianos e que estes lançaram sete mísseis-cruzeiro, cujos destroços também foram localizados.

Este domingo, 15 de setembro, duas refinarias sauditas foram atingidas por drones, diminuindo para menos de metade a produção petrolífera da Arábia Saudita, segundo maior produtor no mundo e maior exportador.

Irão nega autoria dos ataques e responsabiliza houthis

Esta quarta-feira, ainda antes da conferência de imprensa do Ministério da Defesa saudita, mas já depois de os EUA terem apontado o dedo a Teerão, o ministro da Defesa do Irão negou a autoria do ataque. “Rejeitamos total e veementemente estas acusações. É fácil acusar alguém sem apresentar quaisquer provas. Não têm qualquer valor”, disse Amir Hatami.

“Se os EUA acreditam [que o Irão lançou o ataque], então são responsáveis por essa afirmação. Toda a gente sabe que o Irão protege determinadamente a paz na região”, acrescentou.

De acordo com o ministro da Defesa do Irão, o ataque partiu dos houthis — aos quais se refere simplesmente como “iemenitas”.

“Foi algo que aconteceu entre dois países em guerra. Os iemenita disseram claramente que foram eles que lançaram os ataques. E a lógica deles é clara. É um país que tem sofrido com a guerra e cuja população sofreu com os ataques e com um cerco”, disse. “É evidente que isto se deve à guerra entre os dois países.”

Trump dá ordens para novo aperto de sanções contra o Irão

Enquanto isso, também esta quarta-feira, Donald Trump anunciou no Twitter que deu ordens ao secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, para “aumentar substancialmente” as sanções contra o Irão.

Para já, não é claro que tipo de sanções podem vir a ser aplicadas pelos EUA, podendo estas dizer respeito à economia iraniana — a um produto em específico, como o petróleo, ou no seu todo — ou apenas a personalidades de topo do regime.

Guterres anuncia peritagem da ONU no local

Entretanto, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, anunciou também esta quarta-feira que vai ser enviada uma equipa de peritos para o local dos incidentes. “Os peritos da ONU já partiram e vão trabalhar” sobre este caso, disse Guterres, confirmando informações de fontes diplomáticas. O secretário-geral exprimia-se durante uma conferência de imprensa de apresentação da Assembleia Geral anual da ONU que deve reunir dezenas de dirigentes na próxima semana em Nova Iorque.

“Devemos travar este tipo de escalada”, sublinhou o chefe das Nações Unidas, quando crescem as acusações ao Irão pelos Estados Unidos e Arábia Saudita de envolvimento nos ataques de sábado.