Os jornais estrangeiros destacam esta segunda-feira a incerteza política que permanece em Espanha após as eleições legislativas de domingo, com a perda de cadeiras dos socialistas e o crescimento da extrema-direita no Parlamento espanhol.

O jornal francês Le Figaro, na sua edição online, refere que “A Espanha mergulha numa nova incerteza”. O diário francês mostra que com o resultado das eleições, nem a esquerda e nem a direita alcançarão uma maioria e, ainda, que as ideias do partido de extrema-direita Vox seduzem “um novo eleitorado”.

A manchete da edição online do francês Le Monde é: “Eleições legislativas: a extrema-direita Vox torna-se a terceira força na Espanha”. “Dada a fragmentação do Parlamento e a ausência de uma maioria de esquerda, os socialistas, que estão à frente, terão problemas para formar um governo”, indica o Le Monde.

O jornal Libération também diz: “Em Espanha, os socialistas na liderança, a extrema-direita em vigor”. “O partido do primeiro-ministro (espanhol) Pedro Sánchez (PSOE) prevalece, mas sem maioria absoluta para governar. À direita, o Vox torna-se a terceira força política, enquanto o Cidadãos entra em colapso”, refere o Libération.

No Reino Unido, os jornais destacam o impasse político em Espanha e o crescimento da extrema-direita.

O jornal The Guardian coloca na sua edição online: “Eleições na Espanha: o impasse permanece e a extrema-direita tem grandes ganhos”. “Resultado das eleições na Espanha: extrema-direita em ascensão, à medida que não surge um vencedor”, é destaque no The Telegraph. O jornal The Times escreve que “Espanha enfrenta um impasse enquanto a extrema-direita duplica os assentos” e o Daily Mail publica que “Partido Vox de extrema-direita em Espanha DUPLICA os seus assentos nestas eleições e os governantes socialistas ficam longe de formar uma maioria”.

Em Itália, o jornal La Reppublica publica na sua edição online: “Espanha, socialistas sem maioria. Voa a extrema-direita, Vox é o terceiro partido”. O também italiano Corriere della Sera questiona: “Eleições Espanha: quem é Abascal e quem apoia o Vox?”

Na Bélgica, o jornal Le Soir destaca que o partido Vox é “a terceira força do país” e o diário La Libre indica que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, sai “enfraquecido” destas eleições e a extrema-direita ganha terreno.

O alemão Der Spiegel publica na sua edição online um artigo de análise em que enumera “seis lições das eleições espanholas”: “As quartas eleições gerais em quatro anos devem trazer clareza e um governo estável. O país está agora mais distante do que nunca” “‘Presidente!’ [escrito em espanhol] , já gritam em êxtase os seguidores de Abascal”, escreve o Die Welt, sob o título “Os eleitores estão frustrados e os populistas a ganhar”. O correspondente em Espanha do Süddeutsche Zeitung, também na Alemanha, explica que “as novas eleições não facilitam a formação do governo. No entanto, há indicações de que Espanha pode sair do impasse”.

O norte-americano New York Times escreve que a “Extrema-direita espanhola ganha as eleições” e explica que com a duplicação dos assentos do Vox, o longo impasse governamental parece não estar mais perto de acabar.

Já no Brasil, a edição online do jornal Folha de São Paulo destaca que “socialistas vencem com margem menor em Espanha” e o diário O Estado de São Paulo indica que “esquerda vence as eleições; extrema-direita consolida-se como terceira força”.

O jornal argentino Clarín destaca que os socialistas ganham, dificultando a formação de governo e que a extrema-direita “será a terceira força”.

Os socialistas do PSOE ganharam as legislativas, elegendo 120 deputados, menos três do que nas eleições anteriores, enquanto o segundo partido mais votado foi o PP (direita), que fica com 88 deputados (tinha 66), seguindo-se o Vox (extrema-direita), que passa a ser a terceira força política em Espanha depois de mais do que duplicar a sua representação parlamentar, passando de 24 para 52 deputados.

Com estes resultados, o bloco dos partidos de esquerda (PSOE, Unidas Podemos e Mais País) totaliza 158 deputados num total de 350, enquanto o bloco de direita (PP, Vox e Cidadãos) alcança 152 lugares. Assim, é de prever a continuação do impasse na formação do executivo.