O julgamento de Rosa Grilo e do amante está perto de acabar. Para a próxima semana começam as alegações finais — agendadas para esta terça-feira, mas adiadas a pedido da defesa. A viúva do triatleta e acusada pela sua morte ainda vai voltar a prestar declarações, segundo revelou a advogada à saída do tribunal.

“Em princípio, [Rosa Grilo] irá pedir da palavra para dar alguns esclarecimentos”, anunciou Tânia Reis.

Esta terça-feira — a décima sessão — foram ouvidas as últimas quatro testemunhas: dois especialistas em balística da Polícia Judiciária e dois académicos de criminologia. Concluídas as inquirições, previa-se que começassem as alegações finais já esta terça-feira. No entanto, a advogada de Rosa Grilo pediu mais tempo para pronunciar-se sobre documentos requeridos pela defesa de António Joaquim — uma vez que é um “requerimento muito longo”.

“Ainda não tive oportunidade para o analisar [o requerimento], daí não prescindir do prazo de análise para me pronunciar sobre essa matéria”, disse a advogada de Rosa Grilo, Tânia Reis, à saída do tribunal.

A advogada da arguida prescindiu também de uma testemunha — uma psicóloga que iria traçar o perfil de Rosa Grilo — pelo que fica, em princípio, terminada a produção de prova. Na próxima semana irão começar as alegações finais — a fase que antecede a leitura da sentença e que serve para o Ministério Público e as defesas apresentarem os seus argumentos finais.

Arguidos enfrentam pena que pode ir até 25 anos de prisão

Rosa Grilo e o amante António Joaquim estão acusados pelo Ministério Público dos crimes de homicídio qualificado agravado, profanação de cadáver e detenção de arma proibida. O MP entendeu que o homicídio terá sido praticado entre o fim do dia 15 de julho de 2018 e o início do dia seguinte, no interior da habitação do casal.

Por forma a ocultar o sucedido, ambos os arguidos transportaram o cadáver da vítima, para um caminho de terra batida, distante da residência, onde o abandonaram”, lê-se na acusação a que o Observador teve acesso.

Os dois arguidos foram detidos há mais de um ano, no dia 26 de setembro do ano passado, por suspeitas de serem os autores do homicídio de Luís Grilo, tendo-lhes sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva três dias depois. Mas o caso veio a público muito tempo antes, quando, a 16 de julho, Rosa Grilo deu conta do desaparecimento do marido às autoridades, alegando que o triatleta tinha saído para fazer um treino de bicicleta e não tinha regressado a casa.

Seguiram-se semanas de buscas e de entrevistas dadas por Rosa Grilo a vários meios de comunicação  — nas quais negava qualquer envolvimento no desaparecimento do marido, engenheiro informático de 50 anos. O caso viria a sofrer uma reviravolta quando, já no final de agosto, o corpo de Luís Grilo foi encontrado, com sinais de grande violência, em Álcorrego, a mais de 100 quilómetros da localidade onde o casal vivia — em Cachoeiras, no concelho de Vila Franca de Xira. Nessa altura, as buscas deram lugar a uma investigação de homicídio e, novamente, Rosa Grilo foi dando entrevistas nas quais que negava qualquer envolvimento no assassinato do marido.

A prova recolhida levou a PJ a concluir que Luís Grilo foi morto a tiro, no quarto do casal, por Rosa Grilo e António Joaquim, e deixado depois no local onde foi encontrado. O triatleta terá sido morto a 15 de julho, por motivações de natureza financeira e sentimental. A tese de Rosa Grilo é, no entanto, diferente: segundo as declarações que prestou no primeiro interrogatório — e que veio a reforçar em várias cartas que enviou a partir da prisão para meios de comunicação — Luís Grilo terá morrido às mãos de três homens (dois angolanos e um “branco”) que lhe invadiram a casa em busca de diamantes.