Para marcar o Dia Mundial da Luta Contra a Sida, celebrado no dia 1 de Dezembro, a Janssen e o Observador, vão lançar-se numa série de vídeos que exploram o imaginário: vamos relembrar quatro perfis icónicos e de relevância cultural que morreram devido ao vírus do VIH, e contamos com artistas e especialistas da mesma área para nos ajudarem a imaginar as possibilidades: se estes artistas ainda estivessem connosco, o que teriam feito e que impacto teriam tido nas nossas vidas?

Lutar contra um inimigo invisível

O Dia Mundial da Luta Contra a Sida é celebrado desde 1988, quando foi instituído pela Assembleia Geral da Nações Unidas e a Organização Mundial de Saúde, com o objectivo de sensibilizar a população para pandemia de Sida, causada pela infecção pelo vírus do VIH, e promover acções de prevenção.

Acredita-se que o vírus do VIH teve origem por volta de 1920 em Kinshasa, na República Democrática do Congo, onde o vírus passou de chimpanzés para humanos. O vírus, na altura desconhecido, espalhava-se esporadicamente sem sinais aparentes nem sintomas. No entanto, os dados disponíveis mostram que a pandemia do VIH terá começado no final dos anos 70. Estima-se que em 1980, o vírus já estava presente em cinco continentes e possivelmente atingido entre 100,000 e 300,000 pessoas.

Os anos 80 foram marcados pela propagação do vírus e estigmatização dos portadores do vírus, mas também pelas primeiras descobertas – desde a documentação dos primeiros casos reportados, à nomenclatura da doença como Síndroma de Imunodeficiência Adquirida (SIDA) em 1982. Também nesta década, em 1987, foi aprovado o primeiro agente para o tratamento do VIH – uma medicação que era, numa primeira fase, administrada diariamente a cada 4h.

No mesmo ano, a Organização Mundial de Saúde lançou um programa global e uma campanha de conscientização para o vírus, criar políticas de resposta baseadas nas descobertas científicas, providenciar apoio técnico e financeiro, e promover os direitos das pessoas seropositivas.

Desde então, o progresso na medicina tem sido rápido – em 2006 surgiu a primeira combinação de antirretrovirais num comprimido único. Hoje em dia já existem no mercado vários regimes de tratamento de comprimido único, facilitando a sua administração e eficácia.

O vírus em números

O vírus do VIH continua a ser um dos grandes desafios da saúde global, variando conforme as áreas, sendo a África subsaariana a região mais afectada.

É estimado que em 2018 o número de pessoas infectadas pelo vírus era de cerca de 37.9 milhões de indivíduos, com a proporção de mortes pelo VIH a rondar o 770.000 indivíduos – por comparação em 2010 o número de infectados rondava os 24.9 milhões de indivíduos, com as mortes a rondar os 1.4 milhões.

Em Portugal, o número de pessoas infectadas pelo vírus em 2016 era de 38.959. Portugal atingiu já o objectivo estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2020 de 90-90-90, tendo diagnosticado 92,2% das pessoas que vivem com infeção por VIH, mantendo 90,2% das pessoas diagnosticadas em tratamento antirretroviral e 93% das pessoas em tratamento com carga viral indetectável. Para 2030, o objetivo é chegar aos 95%.

O HIV passou, nos últimos 30 anos, de uma doença fatal, a uma doença crónica e tratável, com os indivíduos infectados a alcançarem esperanças médias de vida semelhantes ao resto da população. Este facto é impressionante e faz-nos pensar… e se algumas das figuras icónicas que morreram devido ao vírus tivessem tido acesso à terapêutica moderna? O que seria diferente? E se Freddie Mercury tivesse tido acesso às terapêuticas hoje disponíveis, e vivido mais anos como vocalista dos Queen, que novas músicas estariam agora a tocar nas rádios?