Foi do espectro político oposto ao do Bloco de Esquerda (outro partido que reagiu à mensagem de Natal de António Costa) que surgiu uma tomada de posição, também ela igualmente pouco abonatória.  Através de Cecília Meireles o CDS pediu que a intervenção e anúncios de António Costa não fossem “apenas promessas, mas sim realidades.”

Em pouco mais de cinco minutos (perguntas e respostas incluídas), a deputada do CDS explicou que o partido viu nas palavra do primeiro-ministro uma espécie de “reconhecimento do muito que correu mal na Saúde e nos hospitais” durante esta governação, uma deterioração latente “quer no ponto de vista da gestão quer no ponto de vista do orçamento” — como exemplos mais concretos ressalvou principalmente os longos tempos de espera e a degradação orçamental.

Apesar de reconhecer que o atual Executivo “tem dado uma grande atenção ao tema da Saúde”, afirma que a mesma só existe porque o Governo “sabe que nessa matéria falhou redondamente.” Meireles foi mais longe neste capítulo alegando que “infelizmente” não foi possível ver Costa reconhecer “a sua própria responsabilidade e a do seu Governo no muito que correu mal.” Aliás, Cecília Meireles fez tanta questão de frisar este ponto que até fez uma alusão a presente época das festas para lançar uma provocação: “Dava-me mais confiança, a mensagem, se o senhor ministro tivesse sido capaz [de reconhecer os seus erros] com sinceridade, um espírito que a quadra aconselhava. Que tivesse sido capaz de reconhecer os seus erros e admitir que os ia tentar corrigir.”

Finalmente, um dos temas mencionados por Costa, o da grande injeção de capital na Saúde, também mereceu reparos. Em resposta à jornalista que a questionou sobre o assunto, a deputada afirmou já ter “anúncios de supostas injeções de capital noutros anos”, mais concretamente “no que está a acabar” e no anterior a esse. O CDS, conta, até passou “grande parte desses anos a perguntar pelo tal dinheiro.” Isto aconteceu porque num “sector onde se diz que não há cativações, muitas vezes há outras coisas que são vetos de gaveta e adiamentos.”

Ou seja, o dinheiro pode muito bem ser investido no SNS mas, “se o Governo continuar, través de burocracias, a impedir que ele seja de facto aplicado”, isso será “só mais uma promessa não cumprida.” Anúncios “são sempre bem vindos” desde que “sejam mais do que promessas e propaganda, isto para que os portugueses possam finalmente ter um sistema de saúde que inclua o serviço público, mas possa e deva incluir também serviços do setor social e serviços privados.”