A Galp rejeita qualquer relação com a consultora de António Vitorino e da sua mulher que estão referenciados na investigação criminal aberta na Justiça espanhola contra Raul Morodo, ex-embaixador espanhol em Lisboa e Caracas, e o seu filho Alejo, casado com uma filha de Dias Loureiro. E diz que nada em a ver com alegados atos ilícitos praticados na Petróleos da Venezuela (PDVSA) que estão no centro do inquérito aberto na Audiência Nacional.

António Vitorino e a sua consultora Emab são referenciados num relatório da Autoridade Tributária espanhola revelado pela jornal Ok Diário em Espanha e pelo Observador em Portugal. Ambos terão participado num esquema de corrupção e branqueamento de capitais de alegado desvio de mais de 4,4 milhões de euros da Petróleos da Venezuela (PDVSA). António Vitorino e a sua consultora terão recebido cerca de 350 mil euros do escritório de advogados de Raul Morodo e de outra empresa do seu filho Alejo. “Parece necessário investigar se os serviços de consultadoria prestados pela Emab Consultores Lda. e António Manuel Carvalho Ferreira Vitorino que deram lugar a estas transferências são reais e se existe documentação que provem os mesmos serviços”, lê-se no relatório do Fisco espanhol que consta dos autos do processo aberto contra Raul Morodo e o seu filho Alejo.

No relatório da Autoridade Tributária, as transferências da PDVSA para os Morodo são ligadas a um alegado “acordo concluído entre a empresa portuguesa Galp Energia no ano de 2008 com a PDVSA para instalar quatro parques eólicos na Venezuela e comprar petróleo à PDVSA”.

Confrontada pelo Observador com estes factos e questionada sobre sobre se alguma vez contratou a consultora Emab Consultores ou outra entidade ligada a Vitorino para assessorar a Galp Energia em algum negócio relacionado com o mercado da Venezuela, fonte oficial da petrolífera afirmou: “a Galp rejeita qualquer relação com a empresa EMAB Consultores”.

Sobre a ligação feita pelo fisco espanhol entre as transferências realizadas para Raul e Alejo Morodo com os negócios que a Galp teve com a PDVSA, fonte oficial da petrolífera nacional “rejeita qualquer envolvimento da empresa nos supostos atos ilícitos que são referenciados na imprensa a respeito da petrolífera venezuelana. A relação comercial de longa data com a PDVSA foi desenvolvida ao longo do tempo de forma direta, tal como acontece com a generalidade das empresas do sector. Esta relação, amplamente divulgado, terminou no ano de 2012″, conclui a mesma fonte.

A Galp confirma que a Morodo Abogados, o escritório de advogados de Raul Morodo, foi contratado por duas sociedades portuguesas do Grupo Galp Energia entre 2008 e 2013, tendo recebido um total de 317.240 euros. “A Galp confirma a prestação de serviços de assessoria jurídica, em regime de avença mensal, pelos referidos advogados no período em causa”, lê-se na resposta escrita enviada ao Observador.

Questionada sobre o facto de contratar um escritório espanhol para prestar serviços a duas sociedades de direito português, fonte oficial da Galp afirmou que a empresa “recorre a consultores jurídicos para aconselhamento nas diversas geografias, setores e ordenamentos jurídicos em que desenvolve as suas atividades, trabalhando atualmente com mais de quatro dezenas de escritórios de advogados, nacionais e internacionais.”

Já no caso de Alejo Morodo Cañete, o filho de Raul Morodo que chegou a ser detido preventivamente pelas autoridades espanholas em maio de 2019 após a casa que partilha com a sua mulher Ana Catarina Loureiro (filha de o ex-ministro Dias Loureiro) ter sido alvo de buscas, a Galp também confirmou a sua contratação como funcionário da Galp España (subsidiária espanhola da petrolífera nacional). “Os serviços prestados ao grupo Galp por Alejo Morodo enquanto funcionário da empresa e, mais tarde, enquanto consultor, foram de assessoria jurídica às atividades de retalho no mercado espanhol”, explica fonte oficial.