O banco central norte-americano cortou as taxas de juro para mitigar riscos gerados pelo coronavírus. Foi a primeira vez desde a crise financeira de 2008 que o banco central norte-americano anunciou um corte dos juros de forma imprevista, isto é, fora do contexto da habitual reunião mensal.

A taxa de juro de referência baixou em meio ponto percentual para o intervalo entre 1% e 1,25%, uma decisão anunciada esta terça-feira.

“O coronavírus apresenta riscos para a atividade económica, que estão em evolução”, escreve a Reserva Federal, liderada por Jay Powell, acrescentando que “à luz desses riscos e no âmbito dos objetivos de obter máximo emprego e estabilidade dos preços, o Comité de Operações no Mercado Aberto [ou FOMC, nome do organismo que decide a política monetária dos EUA] decidiu hoje baixar o intervalo da taxa de juro de referência”.

Foi uma decisão unânime, que foi complementada com a promessa de que a Reserva Federal “está a monitorizar de perto os desenvolvimentos e as suas implicações para o panorama económico”, garantindo que serão usadas “todas as ferramentas” para “agir de forma adequada para suportar a economia”. Ao baixar as taxas de juro, um banco central tenta garantir que

Inicialmente, o anúncio foi recebido de forma muito positiva nas bolsas, mas pouco tempo depois esses ganhos foram dissipados, continuando a volatilidade que se tem registado nas bolsas nas últimas semanas. Já tinha havido indicações de que a Reserva Federal poderia tomar a decisão de tentar impulsionar a economia e nem esperar pela próxima reunião periódica do FOMC – o Goldman Sachs tinha previsto no fim de semana que isso poderia acontecer. Na sexta-feira, a Fed já tinha demonstrado que estaria disponível para tomar medidas para mitigar os impactos do coronavírus.

“Como aconteceu durante a crise de 2008, parece estar a gerar-se uma atuação coordenada por parte dos países do G7, o que aumenta a eficácia das medidas de estímulo”, aponta o alemão Commerzbank numa nota de reação divulgada após ser conhecida a decisão da Reserva Federal. “O FOMC irá, agora, esperar para ver se o corte das taxas de juro de facto consegue estabilizar os mercados financeiros”, diz o Commerzbank: “porém, sabendo que o número de infeções com coronavírus também está a aumentar nos EUA, um fim rápido para as influências negativas não estará no horizonte – se for necessário, a Fed poderá anunciar mais cortes da taxa de juro”.

A bolsa de Lisboa está esta terça-feira a seguir o sentimento positivo das restantes bolsas europeias, com uma valorização de 2,4%. O índice europeu Stoxx 600 ganhava mais de 2% perto do final da sessão.