Espanha é o segundo país mais fustigado pelo coronavírus na Europa, logo a seguir a Itália. Isto explica que a população esteja particularmente sensível ao tema, com os doentes a buscarem tratamento e os que ainda não estão infectados a preferirem não se deslocar para o trabalho, a fim de não contrair a Covid-19.

São estes problemas de saúde dos funcionários que têm vindo a parar a laboração de todas as fábricas em solo espanhol, à excepção da unidade que a Daimler possui no País Basco, próxima de Vitoria-Gasteiz. Daí saem os furgões Classe V, tanto em versão comercial como de passageiros, com as instalações a empregarem cerca de 5000 funcionários.

Apesar de todas as fábricas em Espanha terem fechado portas, a Mercedes decidiu continuar a trabalhar em Vitoria-Gasteiz, tendo informado que produção seria retomada na passada segunda-feira, 16 de Março, como habitualmente. Porém, os empregados não tiveram pelos ajustes e, basicamente, sentaram-se na linha de montagem, recusando-se não só a continuar a trabalhar, como inclusivamente impediram os modelos já fabricados de abandonar as instalações.

De acordo com o jornal espanhol El Diario, a fábrica do construtor alemão tem um caso confirmado de infecção, com outros 23 de quarentena, provavelmente por terem contactado com o colega doente. Para Ogor Gebara, o representante dos trabalhadores, “não estão reunidas as condições para garantir a saúde dos funcionários”. Gebara avançou ainda que não foram distribuídas máscaras nem luvas de borracha.

Depois de prolongadas reuniões entre administração e empregados, a Mercedes aceitou finalmente encerrar a produção na sua fábrica basca.