Foi no Hospital de São João, no Porto, que a 17 de março nasceu o primeiro bebé filho de uma mãe infetada pelo novo coronavírus. A mulher deu entrada no hospital já em trabalho de parto.

“Foi sinalizada pelo Centro de Orientações de Cuidados Urgentes como um caso suspeito do novo coronavírus, por existirem familiares positivos. Não havia confirmação e ficou num quarto de isolamento”, explica ao Observador a médica Marina Moucho, do serviço de obstetrícia, acrescentando que a mãe tinha sintomas “muito ligeiros”.

Após ter sido confirmada a doença de Covid-19 na mãe, o parto foi vaginal e “decorreu naturalmente”, nascendo uma menina com 3.240 quilos. Henrique Soares, médico no serviço de neonatologia do Hospital de S. João, revelou que a bebé teve duas provas negativas à Covid-19 e está “clinicamente bem”, encontrando-se ainda “à guarda do hospital” por uma questão de segurança.

Nasceu o primeiro filho de uma mãe com coronavírus no Porto. Primeiro teste ao bebé deu negativo

A 26 de março nasceu de cesariana um segundo bebé filho de mãe infetada com a Covid-19, também no Hospital de São João. Desta vez um menino que também testou negativo duas vezes. Um dia depois, nascia em Lisboa, na Maternidade Alfredo da Costa, um menino de cesariana com 1.350 gramas. Também testou negativo à doença Covid-19.

Esta segunda-feira, foi a vez do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos ver nascer uma menina filha de pais infetados. Segundo fonte hospitalar confirmou ao Observador, a menina nasceu de cesariana e os dois testes tiveram resultado negativo.

Antes do parto, e quando a mãe já estava internada na unidade de saúde, o pai da criança descobriu estar infetado pelo novo coronavírus, tendo aquela depois feito também o teste que deu igualmente positivo, adiantou. A mãe está “clinicamente estável”, tendo já tido alta da obstetrícia.

Esta quarta-feira, um menino nasceu no Hospital de São João, no Porto, de parto normal. Fez um primeiro teste negativo, estando ainda a aguardar pelo resultado do segundo.

Nuno Clode, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medina Materno-Fetal (SPOMMF), assegura, em entrevista ao Observador, que a probabilidade de o bebé contrair o Covid-19 durante o parto ou o período de gestação é baixa. “Não há muitas grávidas conhecidas com o vírus, não deve ultrapassar uma centena. No entanto, como qualquer outra doença infeciosa, o risco nas grávidas é maior. Por isso é que na gripe sazonal as grávidas são um dos públicos de risco e devem também ser vacinadas.”

O médico assegura não existir evidência de que o coronavírus seja transmissível pelo leite materno, sendo apenas passado pelo contacto entre mãe e filho. “É opção da mãe que esse contacto seja ou não estabelecido”, afirma, acrescentando que essa ligação deve ser privilegiada caso a progenitora não apresente sintomas graves, como febre ou tosse intensa.