A Bienal de Arte de Liverpool, no Reino Unido, prevista para ter início em julho, foi adiada para 2021 devido às restrições no quadro da pandemia Covid-19, anunciou esta quinta-feira a organização.

O programa desta 11.ª edição tinha sido anunciado no sítio “online” da bienal de arte no início de novembro do ano passado, e incluiria exposições, debates e performances em vários espaços da cidade – como a Tate Liverpool e a Victoria Gallery & Museum.

Dedicado à arte contemporânea, o evento teria como tema “The Stomach and the Port” (“O Estômago e o Porto”, em tradução livre) e incluía na programação os portugueses André Romão e Pedro Neves Marques, a par dos brasileiros Sonia Gomes (1948) e Jorge Menna Barreto (1970).

De acordo com um texto da equipa organizadora colocado no sítio “online” da bienal, a decisão do adiamento foi tomada “para garantir a saúde do público, equipa organizadora, artistas, parceiros e convidados”. “Seguindo as indicações das autoridades de saúde inglesas, e da Organização Mundial de Saúde, reconhecemos que não seria possível ou responsável apresentar o programa previsto”, lamentam.

Dizendo-se consciente de estar a desapontar o público, a organização considera, no entanto, que a nova data irá dar tempo para enquadrar novamente o programa previsto.

Os artistas de todo o mundo foram convidados a apresentar trabalhos inspirados neste tema, e dentro do contexto de Liverpool, numa perspetiva de olhar para o corpo e para formas de conectar com o mundo.

André Romão, que vive e trabalha em Lisboa, tem vindo a desenvolver o seu trabalho nas fronteiras da interação entre o humano, cultural, animal, e artificial, usando diversos suportes artísticos, e ancorado na poesia. Pedro Neves Marques vive e trabalha em Nova Iorque, nos Estados Unidos, como artista visual, realizador e escritor.

Larry Achiampong, Erick Beltrán, Diego Bianchi, Alice Channer, Judy Chicago, Ithell Colquhuon, Christopher Cozier, Yael Davids, Ines Doujak & John Barker, Jadé Fadojutimi, Jes Fan, Lamin Fofana, Ebony G. Patterson, Ane Graff, Ayesha Hameed, Camille Henrot, Nicholas Hlobo, Laura Huertas Millán, Sohrab Hura, e Evan Ifekoya, são alguns dos artistas que também foram selecionados para participar nesta edição da bienal.

Estes artistas foram desafiados a explorar o conceito do indivíduo para além da entidade autossuficiente: “O corpo é antes visto como um organismo fluído continuamente a moldar e a ser moldado pelo ambiente”, descreve a organização.

A Bienal de Liverpool – um dos maiores festivais de arte visual contemporânea do Reino Unido – teria este ano a curadoria de Manuela Moscoso e a direção artística de Fatos Üstek.