Ren Zhiqiang, um bilionário chinês reformado do ramo imobiliário que criticou a forma com Xi Jinping, o presidente da China, lidou com a pandemia do novo coronavírus, está sob custódia das autoridades chinesas devido a uma investigação em que é o principal suspeito. A confirmação partiu das autoridades chinesas, como avança a CNN. O bilionário estava com paradeiro desconhecido desde, pelo menos, 12 de março.

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O comunicado divulgado pelas autoridades chinesas não refere as razões que levaram à investigação e detenção de Zhiqiang. Apenas é referido que enfrenta “violações sérias” da lei e das normas do Partido Comunista Chinês.

Zhiqiang, de 69 anos, é conhecido nas redes sociais chinesas como “o canhão” e já várias vezes criticou publicamente políticos na China. Ren Zhiqiang é membro de longa data do Partido Comunista Chinês e foi o presidente do conselho de administração de uma empresa imobiliária detida pelo Estado. Wang Ying, uma amiga próxima de Zhiqiang, disse à CNN que temia que o amigo tenha sido detido antes de conhecer a confirmação oficial da prisão preventiva.

O bilionário publicou um artigo em que criticou veemente a forma como o Partido Comunista Chinês tem respondido à pandemia. Neste texto, criticou abertamente a conferência a imprensa que Jinping fez a 23 de fevereiro: “Não vi um imperador ali a exibir suas roupas novas, mas um palhaço que tirou as roupas e insistiu em continuar a ser imperador”. E disse também: “Sem uma media a representar os interesses do povo, a publicar os factos reais, a vida das pessoas está a ser devastada pelo vírus e pela principal doença do sistema”.

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Em 2016, Zhiqiang já tinha sido suspenso do Partido Comunista Chinês depois de questionar a liderança de Xi Jinping que, na altura, referiu que a imprensa do Estado tinha de ser sempre leal ao partido. Durante um ano, ficou também proibido de participar na rede social chinesa Weibo, o equivalente na China ao Twitter.