O hospital de Santa Maria, em Lisboa, começa esta terça-feira a realizar testes serológicos a doentes e profissionais para “aferir o grau de exposição ao novo coronavírus”. De acordo com um comunicado enviado aos meios de comunicação social, o Centro Hospitalar de Lisboa Norte já realizou, em pouco mais de um mês, oito mil testes de diagnóstico à Covid-19.

“A percentagem média de casos positivos do total de oito mil testes realizados entre 10 de Março e 19 de Abril de 2020, somando utentes e profissionais, é de 7%. Até ao último fim de semana foram feitos 1160 testes a profissionais do centro hospitalar”, detalha o comunicado.

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“Além do reforço de atividade nesta área, onde garante também rastreio a utentes de lares e de outros hospitais da região Sul, o Serviço de Patologia Clínica do CHULN começa hoje a efetuar testes serológicos quantitativos (IgM e IgG) a doentes e profissionais do centro hospitalar, que permitem aferir o grau de exposição ao novo Coronavírus“, acrescenta o hospital.

Neste período, foram ainda efetuados 1200 testes a utentes de outros hospitais e lares. Na última semana, o Serviço de Patologia Clínica realizou, em média, mais de 300 testes diários, tendo atingido um máximo de 461 rastreios num único dia.

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Ao contrário dos testes de diagnóstico habituais, os testes serológicos permitem testar a presença dos anticorpos específicos deste vírus, avaliando assim o grau de imunidade da pessoa — nomeadamente permitindo perceber se alguém foi infetado pelo vírus sem nunca ter chegado a ficar doente.

No início do mês, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, já tinha confirmado que Portugal se preparava para começar a testar a imunidade da população portuguesa ao novo coronavírus. Uma perceção generalizada do nível de imunidade ao vírus numa população é um fator decisivo para a adoção e levantamento de medidas de saúde pública em resposta à pandemia.

O diretor clínico do hospital de Santa Maria, Luís Pinheiro, falou esta tarde à Rádio Observador sobre a disponibilização de testes serológicos. “Pode ser útil a caracterizar a evolução da infeção”, explicou, sublinhando que estes testes servem para “avaliar o estado imunológico após a infeção”, mas não garantem a imunidade. “A capacidade laboratorial permite chegar entre os 80 e os 100 por dia, se for necessário”, acrescentou.

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