Um balde azul, um saco com roupa suja, um vaso de plantas, uma lona, um saco tipo mochila, tábuas de madeira, barras de ferro, tubos de plástico, um tronco de uma árvore, entre outros materiais de jardinagem. Foram estes alguns objetos recolhidos pela polícia alemã da cave secreta encontrada durante as escavações numa propriedade perto de Hanover, na Alemanha, que Christian Brueckner, o agora principal suspeito do desaparecimento de Madeleine McCann no Algarve em 2007, terá alugado por uns meses nesse ano, avança o Daily Mail.

Ainda é um mistério o significado destes objetos e resultado concreto da operação levada a cabo na terça e quarta-feira. Os vestígios foram recolhidos e levados para análise, avança o mesmo jornal, e as operações estão terminadas — isso é certo — até porque a polícia tapou com areia a cave de forma a evitar a entrada de pessoas. A cave estava localizada debaixo de um casebre, entretanto demolido, que existia nesse terreno e que Brueckner terá alugado no verão a seguir a Maddie ter desaparecido.

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Os objetos recolhidos foram enviados para análise, segundo o Daily Mail

A propriedade localiza-se entre Hanover-Ahlem e Seelze-Letter, perto do canal Hannover-Linden. Um vizinho do terreno alvo de buscas disse à BBC que Brueckner chegou àquela cidade no ano em que Maddie desapareceu e alugou a propriedade durante alguns meses, entre a primavera e o verão. O suspeito ter-lhe-á dito que queria isolar-se num casebre construído numa base de cimento existente no jardim — debaixo do qual havia a cave. O vizinho adiantou ainda que foi de férias em julho de 2007 e quando voltou em Agosto, o casebre já tinha sido demolido e nunca mais viu Brueckner.

O local onde estão a ser realizadas as buscas visto do Google Maps

O Ministério Público alemão confirmou ao Observador que as escavações estão relacionadas com o desaparecimento da criança britânica. A porta-voz da procuradoria de Braunschweig, Julia Meyer, apenas confirmou que as buscas estão relacionadas com o desaparecimento de Maddie, mas recusou adiantar mais detalhes sobre a investigação ao Observador. A Polícia Judiciária (PJ) portuguesa também confirmou as escavações ao Observador e adiantou que não estão a ser realizadas buscas em Portugal. 

Caso Maddie. Polícia encontra cave “secreta” em terreno alugado pelo principal suspeito da morte da criança

No início de junho deste ano, as autoridades de Portugal, Reino Unido e Alemanha anunciaram que o caso Maddie — a menina britânica que desapareceu em 2007 quando passava férias com os pais no Algarve — tinha um novo suspeito. Trata-se de Christian Brueckner, de 43 anos, que residiu em Portugal entre 1996 e 2007, e conta com antecedentes criminais: encontra-se atualmente preso na Alemanha. Na altura, as autoridades lançaram um apelo com um número de telefone para conseguirem mais informações sobre dois números de telemóvel portugueses e duas viaturas que seriam usadas pelo suspeito na zona da Praia da Luz.

O novo suspeito veio trazer novamente ao de cima um dos desaparecimentos mais mediáticos e misteriosos de sempre, cuja investigação nunca foi fechada até hoje. A investigação acredita que a criança está morta e foi Christian Brueckner que a matou.

Brueckner cometeu pelo menos 17 crimes ao longo de 16 anos

O registo criminal do alemão é muito mais vasto e conta com, pelo menos, 17 entradas por crimes cometidos ao longo de mais de 16 anos, segundo documentos de tribunais alemães e portugueses consultados pelo Observador. Três anos depois de ter chegado a Portugal, em 1999, o alemão foi preso por pequenos furtos e cumpriu uma pena de dois meses de prisão na cadeia de Évora. Depois de libertado, em 2006, foi novamente detido por ter roubado combustível numa bomba: desta vez, foi condenado a nove meses de prisão. Christian Bruckner cumpriu esta pena e foi libertado em dezembro de 2006 — cinco meses antes de Madeleine McCann ter desaparecido.

Entre este crime de 2005 e a condenação de 2019, porém, o cadastro de Brueckner conta várias outras histórias. Tal como o Observador já tinha avançado, em 2014, o suspeito estava na Alemanha, em Braunschweig, quando voltou a ser acusado, agora de crimes de exploração sexual de crianças e pornografia infantil. Mas antes de qualquer julgamento voltou para Portugal — de onde acabaria por ser extraditado em 2017.

German Police Search Property Of Suspect In Disappearance Of Madeleine McCann

As buscas decorreram ao longo de dois dias, terça e quarta-feira

Terá sido a última vez que esteve em território português. De volta à Alemanha, Brueckner cumpriu a pena de prisão de um ano e três meses, tendo sido libertado em agosto de 2018, teoricamente, com a obrigação de apresentar-se uma vez por mês às autoridades alemãs durante cinco anos — o que não aconteceu. Viajou para a Holanda e, depois, para a Itália.

Mas as autoridades alemãs tinham-no debaixo de olho e emitiram um novo mandado de detenção, desta vez dirigido às autoridades italianas. E é com este mandado europeu que é detido cerca de um mês depois, a 18 de outubro, e enviado de novo para a Alemanha, para cumprir mais um ano e nove meses de prisão.

Nessa altura, em 2018, a PJ estava a fazer um levantamento dos crimes sexuais que tinham ficado por resolver na zona da Praia da Luz. Encontraram a violação da mulher de 72 anos, enviaram as provas recolhidas na altura pela GNR para a Alemanha e identificaram o autor do crime: Brueckner. O julgamento só terminaria no tribunal da comarca de Braunschweig em dezembro de 2019, com uma pena total fixada em sete anos de prisão — que se encontra agora a cumprir.

Depois ter sido divulgada informação sobre o novo suspeito no caso Maddie, uma irlandesa de nome Hazel Behan, que foi violada no Algarve em 2004 alertou as autoridades alemãs. A polícia está agora a investigar para perceber se têm alguma relação com Christian Brueckner.

Advogado de Brueckner retirou pedido de libertação

No mesmo dia em que as buscas começaram a ser realizadas, terça-feira o advogado de Brueckner retirou o pedido de libertação que tinham feito — o suspeito encontra-se atualmente preso em Kiel, a cumprir pena por dois processos: um de pornografia infantil e exploração de menores e outro de tráfico de droga.

Christian Brueckner é agora o principal suspeito do desaparecimento de Maddie

O Tribunal Federal alemão decidiu na semana passada que a possibilidade de libertação deveria ser uma decisão tomada pelo Tribunal de  Braunschweig, onde ele acabou condenado em dezembro de 2019, com uma pena total (dos dois processos) fixada em sete anos de prisão, deveria sair em liberdade, depois de a 7 de junho ter cumprido 2/3 do total da pena de prisão aplicada. Mas o advogado Friedrich Fülscher explicou à Deutsche Presse-Agentur que perdeu a confiança nos juízes desse tribunal depois de o terem condenado pela violação da mulher de 72 anos.